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Cinema

A emoção da lembrança de Amylton de Almeida

Jornalista captou o sentimento de pessoas excluídas da sociedade capixaba no documentário "Lugar de Toda Pobreza"

Publicado em 20 de Dezembro de 2018 às 17:00

Públicado em 

20 dez 2018 às 17:00

Colunista

Lançamento do filme - Foto: Arquivo/ Helo Sant'Ana"/>
Marco Aurélio Cavalcanti Carneiro*
Quando vi a capa de A GAZETA do dia 9 de dezembro, sobre o bairro São Pedro, 35 anos depois do documentário “Lugar de Toda Pobreza” registrar a penúria da região, voltei aos meus 19 anos, ainda universitário e bancário. Por um momento, o sentimento foi de tristeza, por lembrar-me de fato tão triste, todavia logo misturou-se com a emoção da lembrança do saudoso Amylton de Almeida. Amylton, na minha modesta opinião foi o maior intelectual que Vitória já conheceu. Com sua sensibilidade apurada, captou não somente as imagens (chocantes por si só), mas também o sentimento daquelas pessoas excluídas da sociedade capixaba. E Amylton nem era documentarista, hein!
Amylton era muito mais do que isso. Lia todas as suas críticas, antes de ver um filme. Detestava o cinema comercial americano, marcado pela violência gratuita e vários “defeitos especiais”. Amylton era “cult”. Gostava de Fellini, De Palma, Babenco. Ainda conseguiu realizar um longa, “O Amor Está no Ar”, protagonizado por Paulo Betti. E ainda faria muita coisa, se não fosse a morte precoce.
Parabéns ao Carlos Henrique Gobbi, roteirista, ao José Lúcio Campos, cinegrafista, e ao repórter Sullivan, que talvez sem saber contou um pouco da história, desse expoente da cultura capixaba.
Aliás, lendo a matéria sobre a produção do vídeo/documentário, vi as dificuldades da produção, das locações, a grua improvisada, enfim tudo feito com um certo amadorismo, mas com muita seriedade. Muito importante também a participação da Sra. Maria Leda Santos. É dela a frase ‘aqui é o lugar de toda pobreza”. Conforme a reportagem, a partir daquele momento, foi ela quem narrou o documentário. Corina dos Santos, que estampou a capa de A GAZETA, é uma das sobreviventes do descaso dos nossos governantes. De um jornal sério e comprometido com a história do Espírito Santo, já eram esperadas matérias desse quilate.
Não conheci Amylton pessoalmente (infelizmente), porém pude desfrutar da leitura dos seus ácidos, irônicos, mas também justos, quando o assunto (cinema, principalmente) merecia respeito. Um cara que marcou minha juventude de uma forma diferente. Me fez pensar melhor, discernir... Que você esteja em paz, numa boa morada e pelos pensamentos nos dê boas ideias, para engrandecer a arte e a cultura deste país.
*O autor é administrador de empresas pós-graduado em Marketing

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