Não adianta mais frear apenas ao passar pelo radar. A regra vale para motoristas que trafegam entre Sooretama e Linhares, no Norte do Espírito Santo, no trecho da BR 101 em que os equipamentos passaram a calcular a velocidade média do veículo durante todo o percurso.
O novo sistema foi implementado pela Ecovias Capixaba no fim de maio no trecho entre os quilômetros 102 e 125. Utilizando os radares já existentes, o sistema registra a passagem dos veículos em diferentes pontos e calcula o tempo gasto no percurso para determinar a velocidade média.
O funcionamento é simples: o veículo é registrado por um radar no início do trajeto e por outro no ponto final. Com base nesses dados, o software calcula a velocidade média do motorista ao longo de todo o percurso. Se o motorista fizer o trajeto em menos tempo do que o permitido, o sistema identifica o excesso.
Ultrapassar o limite da velocidade média não gera multa. Porém, se o motorista passar acima da velocidade permitida em qualquer um dos dispositivos, a infração será registrada.
Os primeiros resultados
De acordo com a Ecovias Capixaba, a ideia é reforçar o respeito ao limite em todo o percurso, já que excesso de velocidade aumenta a gravidade dos acidentes. A iniciativa tem caráter exclusivamente educativo e busca conscientizar os motoristas sobre a necessidade de respeitar os limites de velocidade ao longo de todo o trajeto, e não apenas em pontos isolados da rodovia. Ainda não há previsão de ampliar o sistema para outros pontos.
No primeiro dia da implementação do sistema, por exemplo, 51 motoristas estavam acima da velocidade média. Em mais da metade dos registros, o excesso passou de 50% do permitido no trecho, que é de 60 km/h. O caso mais extremo foi o de uma picape trafegando a 124 km/h.
Os condutores identificados foram abordados mais adiante e receberam orientações sobre direção segura e os riscos provocados pelo excesso de velocidade.
A escolha pelo trecho Sooretama x Linhares
A concessionária informou que o trecho foi escolhido por oferecer condições mais adequadas para esse tipo de monitoramento, já que não há entradas para bairros ou rotas alternativas que possam interferir no cálculo realizado pela tecnologia.
Além disso, a região exige atenção especial por causa da Reserva Biológica de Sooretama, onde ocorre frequente travessia de animais.