É atípico. Mas a
sucessão presidencial de 2022 já chegou. Neste contexto, há um Brasil que está em busca da mediana política, navegando ainda sem bússola no espaço central do espectro político. Estima-se, aí, um potencial que poderia atrair em torno de 40% do eleitorado. O que possibilitaria à candidatura da mediana política ir para a disputa de um provável segundo turno com o presidente Jair Bolsonaro.
Isto é o que indicam as nuvens políticas de hoje. O
retorno de Lula recolocou o debate sobre a viabilidade político-eleitoral do espaço central. De pronto, vislumbra-se que a radicalização do confronto entre o lulismo e o bolsonarismo poderia levar a longa polarização de mais de 20 anos da política brasileira à fadiga de material. Hoje, é Bolsonaro quem pode sair ganhando com o embate. Ele tem 57% de apoio do eleitorado, podendo chegar a 61% em 2022, segundo projeções da pesquisa do Ipesp/XP.
O centro não abrirá espaço apenas como uma espécie de “média” entre a esquerda e a direita. Há que se construir e conquistar a mediana do espectro – o que significa penetrar nas franjas da centro-direita, na seara da centro-esquerda e nas franjas da esquerda, procurando sintonia também com os 25 milhões de brasileiros marginalizados pela longa recessão e baixo crescimento.
A novidade é que a tecitura da mediana tem que começar já. Precisamos compreender que, na era das plataformas tecnológicas digitais, a prática da participação e atuação política esporádica, só nas épocas de eleições, perdeu força. Não se pode mais ignorar a política do dia a dia. As plataformas – e o arsenal de ferramentas digitais – engendram frequentes surpresas políticas. E levaram, no mundo inteiro, ao enfraquecimento e ao colapso imanente do centro do espectro político.
Hoje, a política vive em permanente clima eleitoral. Isto ofusca os candidatos do centro, pois a revolução da comunicação digital solapou o efeito moderador (de freios e contrapesos) da mídia tradicional. As lideranças e forças políticas da mediana central precisam ser apresentar agora. Depois, poderá ser tarde, ao contrário do que sempre pensou a nossa sabedoria convencional. Elas precisam jogar o jogo das mídias digitais, e não só das mídias tradicionais. Com uma crítica muito clara aos extremos e uma narrativa que galvanize o eleitorado. Nenhum político de centro conseguiu captar bem o espírito de época pós-2013. Bolsonaro conseguiu.