Se o governo Temer se encaminha para o fim sem ter deixado um legado de reorganização econômica, resta ao empresário apelar para o instinto de sobrevivência. Só isso explica que, às vésperas de uma eleição tão nebulosa, persista no setor econômico capixaba a intenção de investir e contratar nos próximos seis meses. Porque o otimismo, se já era escasso na gestão de Dilma Rousseff, hoje continua sendo artigo em falta no mercado.
É, portanto, revelador o resultado do levantamento realizado por Beatriz Seixas em sua coluna de estreia, publicada no domingo (22). Dos 114 empresários de distintos portes e segmentos entrevistados, 77 escolheram o caminho dos investimentos, mesmo que inexista confiança no futuro político do país. E 73 dos participantes pretendem também contratar no mesmo período. Surpreende, mas também é uma aposta carregada de lógica quando não se vislumbra uma saída: não dá para se manter na estagnação, esperando a tormenta que pode ou não chegar.
É o retrato de um país – por mais que o recorte seja capixaba – sem expectativas, como em outros setores da sociedade. Ao mesmo tempo, a pesquisa expõe entrevistados empenhados em garantir a própria sustentação no mercado. É preocupante, mas ao mesmo tempo um fio de esperança é tecido. O empresariado capixaba quer estar preparado, mesmo que não faça ideia do que vai encontrar quando 2019 chegar.
O levantamento também deixa uma agenda posta para quem almeja os cargos em disputa em outubro. A prioridade do próximo governo, para o setor produtivo, deve ser melhorar o sistema tributário, reformar a Previdência (para ajustar as contas públicas) e desburocratizar o ambiente de negócios. Já passou da hora de recuperar a confiança e voltar a crescer, com todo o otimismo que os brasileiros merecem.