A passagem de Geraldo Alckmin (PSDB) por Vitória nesta quinta-feira (13) confirmou uma percepção em relação ao candidato do PSDB à Presidência da República: o que sobra ao tucano em termos de preparo e de conteúdo falta-lhe em termos de performance e capacidade de empolgar os eleitores.
A capacidade técnica e administrativa do ex-governador é irrefutável. Sua biografia e resultados obtidos por ele no comando do maior Estado do país falam por si. Na palestra que deu ontem para uma plateia formada por empresários capixabas, Alckmin fez uma exposição muito qualificada, com boas propostas para o Brasil em áreas como economia, ajuste fiscal, retomada do crescimento, infraestrutura, segurança pública e reforma política. Só que falta algo.
O conhecido estilo de Alckmin, bastante moderado e contido – mais uma vez mostrado ontem em Vitória –, pode ser uma virtude em um governante. De fato, o momento de radicalização política vivido pelo país e o tamanho da crise econômica em que nos metemos pedem serenidade e moderação, como o próprio Alckmin tem defendido em sua propaganda eleitoral. Contudo, como candidato, toda essa contenção e toda essa serenidade não o ajudam muito, principalmente em se tratando de um presidenciável que até agora patina nas pesquisas – oscila entre 9% e 10%, segundo as últimas do Ibope e do Datafolha – e que necessita urgentemente deslanchar.
Uma constatação desta testemunha ocular resume a dificuldade de Alckmin: em Vitória, com sua fala mansa (em baixíssimo volume), o tucano entusiasmou mais os empresários que assistiram à sua palestra na sede do Setpes, no bairro Santa Lúcia, do que os populares que o viram durante o corpo a corpo realizado na Avenida Marechal Campos e do que aqueles que o ouviram discursar, mais tarde, no comitê de campanha do PSDB. Na atividade de rua, inclusive, a quantidade de militantes e apoiadores espontâneos que acompanharam o candidato foi tão moderada quanto o seu jeito de falar.
Querendo ou não, a política não é uma atividade puramente racional. Requer performance e uma boa dose de emoção. Eleitores não votam só em ideias, por melhores que elas sejam – e as de Alckmin o são. Votam, muitas vezes, na personalidade do candidato. A forma conta tanto quanto o conteúdo, se não mais.
Tratando de expressar confiança, Alckmin declarou duas vezes ontem, em entrevista coletiva e na sua explanação para empresários: “Essa é uma campanha de chegada”. Acredita que pode crescer na reta final. Para isso, precisará de algo mais que a coligação enorme e que os mais de cinco minutos de programa de TV e rádio que o distinguem dos adversários. Precisará, talvez desse “algo mais” chamado carisma.
Mas como alguém “constrói” carisma de uma hora para outra e a 23 dias da eleição?
Estranho no ninho
Sem ambiente para permanecer no PSDB, o prefeito de Vila Velha, Max Filho, foi a grande surpresa na palestra de Alckmin para empresários. Chegou um pouco depois do início e foi convidado para compor a mesa. Ficou sentado, bem discreto, em um cantinho da mesa, em uma cadeira plástica colocada ali para ele na última hora. Na outra extremidade, sentou-se o vice-governador César Colnago, presidente estadual do PSDB, que derrotou Max na convenção estadual do partido em novembro de 2017.
Eterno tucano
O ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas saiu do PSDB, mas o PSDB não saiu dele. Candidato a deputado federal pelo PPS, sigla à qual filiou-se em março, Luiz Paulo foi um dos políticos que prestigiaram o candidato tucano à Presidência na palestra de Alckmin a empresários capixabas.
Representante de PH
O governador Paulo Hartung não compareceu ao evento, mas quem esteve lá, sempre discreto, foi o seu eterno braço direito, Neivaldo Bragato.
“Sempre ministro”
Também próximo a Hartung, o economista Guilherme Dias foi outro que marcou presença. Dias já foi filiado ao PSDB, embora sem militância partidária ativa. Durante o segundo governo do também tucano Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), ele foi ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. Numa reverência ao economista, Alckmin o chamou de “nosso sempre ministro”.
Chuchu com coentro
Como último compromisso em solo capixaba, Alckmin jantou com Hartung na Residência Oficial da Praia da Costa, antes de rumar ontem mesmo para Natal.