Quando assumi a Prefeitura da Serra, recebi um número que deveria mobilizar qualquer liderança política séria: 99 homicídios para cada 100 mil habitantes. Não era uma estatística ruim. Era uma condenação.
Naquele ano, o relatório das Nações Unidas apontava Honduras como o país mais violento do mundo, com 92 assassinatos por 100 mil pessoas. A Serra ultrapassava esse índice. Éramos, na prática, mais violentos do que o país mais violento do mundo.
Quando os capixabas e os brasileiros dizem hoje que segurança pública é sua maior preocupação, eu os ouço com um sentimento que poucos políticos podem ter: o de quem já esteve exatamente nesse lugar. De quem recebeu uma cidade com taxa de de guerra civil e precisou, concretamente, mudar esse quadro.
A primeira decisão foi tratar segurança pública como política de Estado, não de campanha. A Serra não tinha Guarda Municipal. Criamos uma do zero, com concurso público, formação profissional, policiamento comunitário e presença real nas ruas. Construímos uma parceria com o Ministério Público, o Judiciário e as polícias. A Serra parou de apenas reagir ao crime e passou a antecipá-lo.
Entendemos também que transparência e segurança andam juntas. Uma gestão limpa tem mais recursos para investir onde a população precisa. Durante meu segundo mandato, a Controladoria-Geral da União reconheceu a Serra como a cidade mais transparente do Brasil.
Não por acaso porque construímos isso todos os dias, com cada contrato publicado, cada dado aberto, cada real de dinheiro público rastreável pelo cidadão.
Conto essa história porque os capixabas e brasileiros que hoje apontam segurança pública como prioridade merecem representantes que conheçam o problema de dentro, que já enfrentaram o desafio de governar uma cidade em crise.
Se a maior preocupação dos brasileiros hoje é a segurança, a resposta virá de políticas públicas sérias, de instituições que funcionem e de representantes que entendam que combater a violência é um trabalho conjunto.