Em tempo de eleições, uma pergunta me intriga: por que as pessoas seguem políticos corruptos? No Brasil, temos o exemplo do ex-presidente Lula que, condenado a 12 anos de prisão, ainda tem seguidores. Uma excelente análise desse tema foi feita pela pesquisadora Jean Lipman-Blumen, que afirma que liderança é uma relação entre líderes e seus seguidores. Ela argumenta que Hitler só avançou porque teve o suporte de milhões de eleitores alemães, trabalhadores e soldados. Não há líderes sem seguidores.
O criador do mercado de “títulos podres” na década de 90, Michael Milken, condenado por fraude criminosa nos Estados Unidos, continuou tendo o suporte de seus empregados. Essa história sobre maus líderes se replica em diferentes partes do mundo. O ex-líder soviético Stálin, cuja repressão causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas, e o ex-presidente Chávez, que arruinou a Venezuela, continuam tendo admiradores.
A pesquisadora nos ajuda a entender líderes tóxicos, que são caracterizados por traços e comportamentos, tais como: falta de integridade e honestidade; ambição por glória, colocando-se acima do bem-estar dos outros; arrogância, ao promover corrupção; intimidação e desmoralização dos outros; violação dos direitos básicos dos oponentes, asfixiando críticas; fome de poder, enfraquecendo sucessores.
Blumen ressalta que o ser humano tem grande necessidade de liderança. Isso faz com que os seguidores, mesmo que confrontados com comportamentos perniciosos de seus líderes, encontrem desculpas para apoiá-los. A espoliação da Petrobras, por exemplo, tem pouca ou nenhuma relevância para os seguidores dos líderes que foram responsáveis pelos problemas de corrupção.
Entretanto, a autora apresenta uma estratégia de ações que pode ajudar a nos livrarmos desses líderes: Não ter medo de desafiar um líder tóxico. Isso está sendo realizado no Brasil, através do trabalho da Polícia Federal, Ministério Público e juízes. Usar democracia para fomentar bons líderes. Procurar líderes que tenham a coragem de abraçar a realidade ao invés de esconder os desafios. Estar pronto para ambicionar o melhor mesmo que não haja segurança que seja o vencedor. E, finalmente, preparar uma nova geração de líderes que possam enxergar liderança como um trabalho e não um privilégio.
As eleições estão chegando e teremos uma grande chance de eliminar lideranças tóxicas. Teremos, então, uma oportunidade de renovar a crença num futuro melhor. Não podemos desperdiçá-la escolhendo líderes ruins.