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Juliana Maia Bravo Klotz

Artigo de Opinião

É associada I do Líderes do Amanhã
Juliana Maia Bravo Klotz

Inflação, é você?

Enquanto a riqueza do país continua a mesma e os preços continuam os mesmos, a criação de mais unidades da moeda em circulação apenas faz com que o poder de compra do dinheiro diminua
Juliana Maia Bravo Klotz
É associada I do Líderes do Amanhã

Publicado em 06 de Setembro de 2022 às 11:26

Publicado em 

06 set 2022 às 11:26
Em pronunciamento feito em junho de 2022 ao Wall Street Journal, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, admitiu que os estímulos econômicos implementados pelo governo norte-americano tiveram papel importante no aumento da inflação, defendendo, contudo, que os gastos eram justificados para que uma recessão fosse evitada.
A exemplo dos EUA, muitos governos criaram uma espiral inflacionária ao manter todos os pacotes assistencialistas da pandemia após a reabertura e retomada dos mercados. Com essas ações, esperava-se um aumento da demanda, o que, de fato, ocorreu. Porém, com ela também veio a alta da inflação e das taxas de juros.
Vale lembrar que tudo que o governo gasta é pago por você, cidadão. Não existe dinheiro grátis, não existe benefício grátis. Gastos vertiginosos não evitam recessões, já que o aumento desorientado da oferta monetária deteriora, justamente, o poder de compra dos consumidores. Isso porque a criação artificial de dinheiro somada a gastos deficitários são lados da mesma moeda. Na medida em que a riqueza do país continua a mesma e que os preços continuam os mesmos, a criação de mais unidades da moeda em circulação apenas faz com que o poder de compra do dinheiro diminua.
A história se repete no mundo inteiro. Sob a justificativa de que “é para o bem comum”, governos e seus bancos centrais continuam aplicando políticas socioeconômicas de estanque baseadas em acúmulo de dívidas que serão pagas via impostos, inflação ou ambos. Não faltam incentivos para a perpetuação dessa estratégia, pois quando ela começa a dar errado – e, acreditem, sempre dá –, o Estado culpa as empresas, a geopolítica, a camada financeiramente privilegiada ou qualquer outro fator externo à sua própria atuação.
Enquanto os cidadãos acreditarem que o governo pode criar riqueza por meio da “simples” impressão de dinheiro, os governos o farão, apresentando-a como solução para o problema que eles mesmos criaram. Se a inflação fosse consequência da oferta e da demanda, conforme muitos políticos – e economistas de opiniões duvidosas – proferem displicentemente, a Argentina e a Venezuela teriam inflação baixa. O problema é aumentar a oferta de moeda e enfraquecer a demanda por ela.
A verdade é que os altos custos estatais atrelados à impressão exponencial de moeda são um processo de expropriação, em que o governo expande seu tamanho à custa do resto da população. Para aqueles que anseiam por mais Estado, o cenário é um prato cheio: menos crescimento econômico, inflação mais alta e indivíduos mais pobres. Como muito bem colocado por P.J. O´Rourke, “o Estado se interessa pelas pessoas da mesma forma que as pulgas se interessam pelos cães”.
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