Na política moderna, os partidos têm um papel central na definição das políticas públicas e na busca pelo bem coletivo. Todavia vivemos um tempo de incertezas, já que as legendas não foram capazes de proporcionar aos cidadãos os direitos sociais, culturais, religiosos, políticos e econômicos.
Essas incertezas em relação aos sistemas partidários implicaram na decepção geral com a própria política, pois nossos anseios enquanto cidadãos não foram alcançados.
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, os cidadãos sentem uma apatia generalizada pela política, principalmente porque os agentes políticos não cumpriram nem as suas promessas nem as reivindicações populares. O resultado disso foi a fragilidade do sistema partidário e democrático.
De certo modo, a política brasileira segue o mesmo caminho, os partidos políticos que deveriam proteger os cidadãos cedem aos interesses particulares antes dos interesses públicos. O estudo realizado por Scott Mainwaring no Brasil demonstrou isso e avançou evidenciando o caráter pouco ideológico e a baixa institucionalização dos partidos. Além disso, o fisiologismo partidário, que são as trocas de favores entre os partidos políticos, reforça a decepção do cidadão pela política brasileira.
Atualmente, os diversos grupos de interesses englobam o sistema partidário e lutam na arena política para que seus desejos sejam resguardados. Também os partidos brasileiros utilizam o clientelismo político para satisfazer os interesses partidários e locais, essa realidade política enfraquece as instituições democráticas e o interesse público. Talvez essa seja a principal causa das dificuldades do estabelecimento das instituições democráticas em nosso país.
É preciso fortalecer as instituições democráticas e enfraquecer os interesses particulares das facções políticas para que os interesses coletivos se sobreponham, e desse modo poderemos fazer uma sociedade justa e igualitária.
*O autor é doutorando em História Social das Relações Políticas e bacharel em Ciências Sociais