Letícia Lindenberg*
Está na Carta Magna e na Bíblia: todos são iguais perante a lei e deve-se amar ao próximo como a si mesmo. Frisadas as normas que balizam a sociedade jurídica e religiosamente, e levando-se em conta que toda a população está submetida à Constituição e que sua esmagadora maioria se confessa cristã, não parece haver escape aceitável para que, a esta altura da história, algum sujeito se sinta no direito de pôr a orientação sexual de outro como justificativa para o preconceito.
Hoje, Dia Nacional do Orgulho Gay, é uma data propícia para que as bandeiras do respeito e da tolerância sejam erguidas. Cito hoje, mas não quero dizer que em todos os outros dias não sejam necessários gestos de aceitação, inclusão e empatia. Essas bandeiras precisam ser fincadas como valores inarredáveis da sociedade pois, como temos visto dia após dia, a falta delas tem criado um ambiente constantemente tensionado e hostil às relações entre pessoas.
É inconcebível que numa nação que tanto precisa de mudanças políticas, econômicas e sociais o discurso de ódio ainda ecoe. É inaceitável que homossexuais, bissexuais, transexuais e pessoas que não se enquadram nessas classificações, mas também não são heterossexuais sejam diminuídas, ofendidas, agredidas e assassinadas simplesmente por serem quem são.
Enquanto essas violências diárias perdurarem, o Brasil jamais será um país de todos. Cultuar muros invisíveis e apartheids sociais e de gênero não é algo tolerável diante do desafio da equidade. Aceitar as pessoas como elas são, sem tentar encaixá-las em normas e moldes pré-concebidos (e tantas vezes radicais e segregatórios) deveria ser um comportamento natural.
É por acreditar nisso que a Rede Gazeta carrega em seu DNA a defesa do respeito à diversidade e a busca por uma sociedade plural, onde todas as pessoas se sintam ouvidas. São compromissos reafirmados no código de ética e postura, o “Rede de Valores”, que norteia funcionários e a atuação editorial e institucional desta empresa.
A construção de relações mais fortes, dinâmicas e plurais, sem espaço para retrocessos, deve ser um compromisso diário de todos. E isso nada tem a ver com orientação sexual, saldo bancário ou etnia. Tem a ver com caráter. E pessoas sem caráter, essas sim, devem ser vistas como anomalias.
*A autora é diretora de Transformação da Rede Gazeta