Helvécio de Jesus Júnior*
O ditador Nicolás Maduro decidiu fechar a fronteira com o Brasil para não permitir a entrada de ajuda humanitária, basicamente comida e remédios. Um ato hostil do ponto de vista do direito internacional e desumano ao mesmo tempo. Como explicar tal maldade? Talvez a melhor pergunta seria: Como as ditaduras nascem? Em poucos anos a Venezuela, outrora democrática e relativamente rica, tornou-se miserável, ditatorial e violadora sistemática de direitos humanos. Hugo Chávez foi o chef dessa receita maldita e seu sucessor, Nicolás Maduro, aperfeiçoou as maldades arruinando de vez um país inteiro.
A “maldição do petróleo” também se fez real na Venezuela com Chávez e Maduro, isto é, o uso de um recurso natural abundante fornecedor de altas receitas que é usado tão somente para manter a elite política no poder e oprimir opositores e não para gerar riqueza distribuída nacionalmente.
O primeiro ingrediente dessa receita é adotar um discurso populista e messiânico. Chávez soube cooptar as Forças Armadas, instituição que depois será fundamental para manter o regime autoritário. Criar uma narrativa midiática forte de “nós contra eles” ou como diz a cientista política que estuda o populismo na América Latina, Glória Alvarez, dividir o país entre os alinhados ideologicamente que serão chamados de “povo” e aqueles críticos do governo que serão chamados de “anti-povo”. Estes últimos serão perseguidos.
O segundo ingrediente é a criação de inimigos externos e internos. Toda ditadura precisa primordialmente manter o poder e para tal finalidade ter inimigos externos como os “ianques” serão responsabilizados caso a economia entre em colapso. Os “burgueses” e empresários nacionais também serão inimigos do regime político que, como em todo modelo socialista, busca responsáveis para explicar seu próprio fracasso.
Um terceiro ingrediente é a velha estratégia de “ocupação de espaços” do marxismo de Antonio Gramsci que preconiza que as instituições nacionais devem ser tomadas e redefinidas pela ideologia política. Não há poderes independentes em ditaduras e o judiciário venezuelano passou a ser dominado pela ideologia bolivariana bem como a mídia e jornais e, por fim, tudo isso mantido por forças paramilitares chamadas milícias populares armadas por Chávez ao mesmo tempo em que ele desarmava a população.
Em suma, eis a receita da tragédia: um regime socialista inaugurado por Hugo Chávez que desde 1998 conseguiu, junto com seu assecla Maduro, em pouco, degenerar a qualidade de vida na Venezuela. O resultado é a Venezuela atual com os maiores índices de homicídio da América Latina, população esfomeada e sob o terror. Eis o resultado macabro do socialismo.
*O autor é doutor em História e professor de Relações Internacionais