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Astrofísica capixaba Marcelle Soares Santos Photo/Mike Lovett
Trajetória de sucesso

Astrofísica capixaba estuda a origem e a evolução do universo nos EUA

Formada em Física pela Ufes, Marcelle Soares Santos coordena uma pesquisa que busca explicar a causa da expansão acelerada do universo

Laila Magesk

Editora-adjunta

lmagesk@redegazeta.com.br

Gazeta Online

Publicado em 07 de Agosto de 2018 às 08:26

Publicado em

07 ago 2018 às 08:26
Astrofísica capixaba Marcelle Soares Santos Crédito: Photo/Mike Lovett
Uma trajetória de sucesso. Nascida em Vitória, a capixaba Marcelle Soares Santos, 36 anos, sempre quis entender melhor o mundo em sua volta. A curiosidade da infância se transformou em estudo e hoje ela coordena uma pesquisa, na Brandeis University, na região de Boston, Massachusetts, que busca explicar a causa da expansão acelerada do universo. 
Segundo Marcelle, o desejo de estudar Física começou na escola, quando estava na quinta ou na sexta série, e foi ganhando espaço na vida da então adolescente quando fez o Ensino Médio na antiga Escola Técnica Federal (atualmente o Ifes). Nos anos 2000, Marcelle entrou na Ufes.
UFES
"O período na universidade foi ótimo. Além de estudar os tópicos que me fascinavam, comecei a fazer pesquisa (um projeto de iniciação científica, com bolsa do CNPq) e trabalhei também em programas de divulgação científica, com apoio do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) voltados para estudantes e professores do Ensino Fundamental e Médio", conta.
Bacharel em Física pela Ufes, ela fez uma prova para o programa de pós-graduação em Astronomia na USP, em 2004. "Quando entrei no programa, eu já queria estudar Cosmologia* - tinha tido uma introdução ao tópico durante minha pesquisa de iniciação científica. À medida que fui aprendendo mais, tive oportunidade de mudar um pouco o foco para cosmologia observacional, usando dados de grandes levantamentos como o Dark Energy Survey (Pesquisa da Energia Escura)", explica.
USP
Doutora em Astrofísica pelo instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, a capixaba se tornou professora universitária no departamento de Física da Brandeis University, nos EUA. De Boston, ela conversou com a equipe do Gazeta Online pela internet e contou quais são os objetivos da sua atual pesquisa, se enfrentou preconceito por ser mulher e negra em uma área dominada por homens, entre outros assuntos.
De maneira simples, o que a sua pesquisa representa para o mundo?
Eu estudo a origem e evolução do nosso universo, usando telescópios que produzem imagens de milhões de galáxias distantes e capturam também explosões muito brilhantes e efêmeras, que ocorrem quando certos tipos de estrelas sofrem uma colisão
Você já tem muitas conquistas profissionais. Quais são os seus projetos para o futuro?
Pretendo continuar nessa linha de pesquisa, fortalecendo meu grupo de pesquisa e formando uma nova geração de físicos e astrofísicos.
Você costumar vir a Vitória, tem familiares aqui?
Sim. Meus pais e minha irmã moram em Vitória. Visito sempre que posso.
Na infância você morou fora do Estado?
Morei dos 4 aos 14 anos na Serra dos Carajás, no Pará. Minha família voltou para Vitória, Jardim Camburi, nos anos 1990.
Teve o incentivo dos seus pais para entrar nessa área?
Sim. Meus pais sempre apoiaram tanto a mim quanto meus irmãos em nossas trajetórias.
Muita gente deve fazer essa pergunta, mas não tem como a gente fugir. Física é um curso onde tradicionalmente predomina a presença de homens. Ainda é assim?
Sim.
Você enfrentou algum tipo de preconceito por ser mulher e negra nessa área?
Embora a falta de representatividade de certos grupos nas várias áreas de pesquisa acadêmica seja um problema sério e global, houve avanços nos últimos anos e com certeza minha experiência foi bem melhor do que a de professoras de uma ou duas gerações atrás.
O que você sugere aos jovens que desejam ter uma carreira parecida com a sua? Tem alguma aptidão que revele um gosto pela Física?
Acho que o mais importante é ter curiosidade a respeito dos processos que ocorrem na natureza. Se a pessoa cultiva essa curiosidade, o gosto pela Física é uma consequência direta.
Como você se interessou por sua área de atuação?
A Física estava perto do meu coração antes que eu pudesse articular a palavra. Eu era uma criança muito curiosa, e quando cresci e comecei a estudar Matemática e Ciências, isso se tornou minha paixão. O fato de que eu era terrível em todas as formas de esporte na escola também poderia ter algo a ver com isso
Eu era sempre a aluna mais lenta nas aulas de Educação Física, e nunca desenvolvi talento com a bola, mas se você me desse um problema de Matemática ou um quebra-cabeça, eu seria uma das primeiras a encontrar uma solução. O foco na Cosmologia, em particular, começou quando eu estava na faculdade. Houve um colóquio sobre esse assunto, e quando soube que 95% da matéria e da energia no universo são desconhecidas, eu sabia que esse era um enigma que eu tinha que ajudar a resolver.
Além de estudar o espaço, o que você gosta de fazer?
Gosto de ler histórias de ficção científica. É maravilhoso ver as leis da física serem temporariamente "suspensas" e embarcar em histórias tão imaginativas e fantásticas.
*Ramo da astronomia que estuda a estrutura e a evolução do universo em seu todo, preocupando-se tanto com a origem quanto com a evolução dele.

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