Um dos coordenadores da campanha do deputado Jair Bolsonaro (PSL), o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), realiza negociações para tentar atrair para a chapa do presidenciável um partido acusado de vender apoio político nas eleições de 2014 a Dilma Rousseff. Onyx se reuniu pessoalmente com Eurípedes Júnior, presidente nacional do PROS, para prosseguir com o acordo.
Eurípedes foi acusado na delação da Odebrecht de ter recebido R$ 7 milhões para o PROS, por meio de caixa dois, em troca do apoio a Dilma. O PROS nega e afirma que todas as doações "foram devidamente declaradas para a Justiça Eleitoral".
"Até o momento, o diálogo ocorreu com o pré-candidato Henrique Meirelles do MDB; com o senador Alvaro Dias e a presidente do PODEMOS, Renata Abreu; Com a presidente e o vice-presidente do PT, Gleisi Hoffmann e Márcio Macêdo e com o coordenador do plano de governo da sigla, Fernando Haddad; Laís Garcia e Pedro Ivo, porta-vozes nacionais da REDE de Marina Silva; Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB", afirmou a nota divulgada pelo PROS.
Presidente do PSL de São Paulo, o deputado Major Olímpio confirmou que Onyx vem fazendo conversas foras do PSL que podem levar, inclusive, à indicação de um nome para a vice fora do partido de Bolsonaro.
"O Onyx sabe o limite de onde pode chegar, onde é exequível. Ele é aquela pessoa que tem essa capacidade, esse trânsito nos partidos para fazer isso", afirmou Major Olímpio, confirmando que o PROS é um dos que estaria em negociação.
A reportagem não conseguiu contato com a Onyx.
Bolsonaro tenta encontrar um vice para sua chapa e alianças que aumentem o seu tempo de TV. A primeira tentativa, com o PR de Valdemar Costa Neto, fracassou após a recusa do senador Magno Malta (ES) em ocupar o posto de vice e também pela divergência sobre alianças para eleições proporcionais em São Paulo e Rio.
O presidenciável foi refutado pelo nanico PRP, o que inviabilizou a indicação do General Heleno como seu seu companheiro de chapa. A negociação com Janaina Paschoal, filiada ao PSL, tem encontrado entraves no campo programático porque ela é contra a redução da maioridade penal e a favor de cotas raciais, posições divergentes da de Bolsonaro.