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Dia Nacional da Educação Infantil reforça desafios da inclusão 

Acesso a recursos pedagógicos, tecnologia assistiva e profissionais capacitados são essenciais para garantir o desenvolvimento de crianças cegas ou com baixa visão

Publicado em 25 de Agosto de 2026 às 12:14

Portal Edicase

Publicado em 

25 ago 2026 às 12:14
Inclusão desde a primeira infância favorece autonomia, comunicação e participação social de crianças com deficiência (Imagem: Andrei Dedovich | Shutterstock)
Inclusão desde a primeira infância favorece autonomia, comunicação e participação social de crianças com deficiência Crédito: Imagem: Andrei Dedovich | Shutterstock

O Dia Nacional da Educação Infantil, celebrado em 25 de agosto, convida a refletir sobre a importância de garantir que todas as crianças tenham acesso a experiências de aprendizagem desde os primeiros anos de vida. Instituída pela Lei nº 12.602/2012, a data reforça a relevância dessa etapa para o desenvolvimento infantil e abre espaço para discutir os desafios da inclusão. 

Para crianças cegas ou com baixa visão, participar plenamente das experiências da educação infantil envolve pensar em diferentes formas de aprender, brincar, explorar e interagir com o mundo. Materiais pedagógicos acessíveis, recursos de tecnologia assistiva, estímulos adequados e profissionais preparados são alguns dos elementos que podem fazer diferença para que essas crianças tenham as mesmas oportunidades de desenvolvimento e aprendizagem.

Os desafios educacionais enfrentados por pessoas com deficiência , incluindo as visuais, ainda são expressivos. Segundo dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025, 21,3% das pessoas com deficiência com 15 anos ou mais eram analfabetas, índice quatro vezes maior do que o registrado entre pessoas sem deficiência (5,2%). Além disso, 63,1% não tinham instrução ou não haviam concluído o ensino fundamental, enquanto entre as pessoas sem deficiência esse percentual era de 32,3%. 

É por isso que pensar na inclusão desde a primeira infância é fundamental. Quanto mais cedo a criança tiver acesso a recursos que respeitem suas necessidades e potencialidades, maiores são as possibilidades de desenvolver autonomia, comunicação e habilidades para participar ativamente da vida escolar e social.

Inclusão e desenvolvimento desde a infância

Referência no atendimento a crianças, jovens e adultos com deficiência visual, a Laramara – Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual atua há mais de três décadas para promover a inclusão e ampliar o acesso a recursos e estratégias que favoreçam o desenvolvimento. Fundada em 1991 pelo casal Mara e Victor, a instituição surgiu após a filha, Lara, receber o diagnóstico de retinopatia da prematuridade. Em busca de alternativas para apoiar a filha, Mara se especializou em educação especial, com formação em Pedagogia e especialização em cegueira e deficiência visual pela Universidade de São Paulo (USP). 

Hoje, a Laramara desenvolve ações voltadas à educação inclusiva, formação de profissionais, acesso a tecnologias assistivas, desenvolvimento de crianças e jovens, apoio às famílias e articulação institucional. Entre as frentes de atuação estão também cursos destinados a profissionais da educação e terapeutas, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre deficiência visual e qualificar o atendimento oferecido a esse público.

“Na primeira infância, grande parte das experiências que impulsionam o desenvolvimento acontece por meio do brincar, da exploração do próprio corpo, dos objetos, dos espaços e das interações com outras pessoas. Para a criança com deficiência visual, garantir o acesso a essas experiências é fundamental para que ela possa participar ativamente, construir conhecimentos, desenvolver a autonomia e ampliar sua compreensão de mundo”, afirma Junia Buzim, pedagoga da Laramara. 

A formação continuada de profissionais da educação é essencial para que possam reconhecer os potenciais e as necessidades de crianças com deficiência visual (Imagem: Mishchenko Svitlana | Shutterstock)
A formação continuada de profissionais da educação é essencial para que possam reconhecer os potenciais e as necessidades de crianças com deficiência visual (Imagem: Mishchenko Svitlana | Shutterstock) Crédito:

Formação de profissionais fortalece a inclusão

Nesse contexto, a falta de materiais acessíveis, ambientes pouco planejados e a ausência de profissionais preparados para compreender as especificidades da deficiência visual ainda podem constituir barreiras à participação e à aprendizagem. Assim, a formação continuada de profissionais da educação é essencial para que possam reconhecer potenciais e necessidades, identificar barreiras e construir estratégias pedagógicas que ampliem as possibilidades de interação, comunicação e aprendizado.

“Uma educação infantil verdadeiramente inclusiva não oferece uma experiência paralela, mas garante que a criança com deficiência visual realmente participe e tenha oportunidades reais de se desenvolver”, pontua a pedagoga.

Por Juliana Vaz

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