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Facada em Minas Gerais

Em entrevista à rádio, Bolsonaro critica PF por investigação de atentado

Candidato à Presidência afirmou que delegado responsável 'age, em parte, como defesa do criminoso'

Publicado em 25 de Setembro de 2018 às 01:32

Publicado em 

25 set 2018 às 01:32
Jair Bolsonaro em entrevista à rádio 'Jovem Pan' Crédito: Reprodução
O candidato à Presidência do PSL, Jair Bolsonaro, afirmou nesta segunda-feira (24), em entrevista à rádio “Jovem Pan”, que foi vítima de um atentado político e criticou a investigação da Polícia Federal sobre o ataque sofrido por ele no dia 6 de setembro em ato de campanha em Juiz de Fora, em Minas Gerais. O presidenciável disse que o parecer do delegado Rodrigo Morais, que comanda a investigação, é para “abafar o caso” e sugere que o policial “age, em parte, como defesa do criminoso.”
Na entrevista de 16 minutos, gravada na manhã desta segunda-feira no Hospital Albert Einstein em São Paulo, Bolsonaro chorou ao se lembrar do ataque e contou que imaginou ter levado “um soco ou um pedrada”. O presidenciável disse ter visto apenas um vulto de seu agressor Adélio Bispo de Oliveira. Para ele, o homem “foi cumprir uma missão” e não agiu sozinho.
— Ele (Adélio) não é tão inteligente assim, não. A tendência natural é, em um ato como aquele, ser linchado. Então, ele foi para cumprir a missão quase na certeza que não seria (linchado). Não seria como? Teria gente ao lado dele — disse Bolsonaro, ao lado do filho Flávio, deputado estadual pelo Rio e candidato ao Senado, que também se emocionou.
Bolsonaro contestou o delegado Rodrigo Morais, que em entrevista ao “Fantástico”, da Rede Globo, afirmou que até agora não há elementos que sustentam que Adélio Bispo teve ajuda para executar o crime.
— Ouvi dizer que a Polícia Civil de Juiz de Fora está bem mais avançada do que a Polícia Federal. O depoimento que eu ouvi do delegado da PF, que está conduzindo o caso, realmente é para abafar o caso. Eu lamento. O que eu o ouvi falando dá a entender até que age, em parte, como uma defesa do criminoso. Isso não pode acontecer — disse o candidato.
O deputado federal afirmou que não quer que “inventem um responsável” para o atentado, mas exigiu apuração.
— Eu não quero que inventem um responsável. Longe disso. Falar que é tal partido, que não sei o quê… não, não. Dá para apurar o caso — observou.
Bolsonaro afirmou que deseja que seu agressor seja punido com o que está previsto em lei para tentativa de homicídio, cuja pena é de seis a 20 anos de reclusão. No entanto, disse que, caso eleito, vai atuar para aumentar a penalidade e para extinguir a progressão da pena.
— Por que a pena dele (Adélio) tem que ser abaixo de um homicídio em si? Vamos mudar isso no futuro, se Deus quiser, caso eu seja Presidente. E mais ainda: vamos acabar com a progressão de pena.
Na entrevista, o candidato falou também da proposta de Paulo Guedes, seu guru na área econômica. Segundo ele, o plano consiste em dar isenção no Imposto de Renda para quem ganha até cinco salários-mínimos. A partir desse valor, a alíquota única seria de 20%. Bolsonaro afirmou que o economista “está sendo ousado" e adiantou que pode negociar com Guedes, caso a regra prejudique quem ganha entre cinco e dez salários.
— Vamos mexer na economia sem sacrifício para ninguém. Se a alíquota de 20% estiver alta para alguns, eu converso com o Paulo Guedes — disse Bolsonaro, sugerindo que até dez salários-mínimos a alíquota seja de 15%. — No final, eu quero que a União arrecade menos.
 
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