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Grupo cria 1° aplicativo de relacionamentos do Brasil para pessoas negras

Denga, como foi chamado, tem como foco relações afrocentradas, isto é: que têm o negro e sua cultura como centro do afeto. O download, gratuito, está disponível para os sistemas Android e IOS

Publicado em 15 de Outubro de 2022 às 19:18

Agência FolhaPress

Publicado em 

15 out 2022 às 19:18
PAOLA ROSA
O primeiro aplicativo de relacionamentos para pessoas negras desenvolvido no Brasil foi lançado nesta sexta-feira (14).
Denga, como foi chamado, tem como foco relações afrocentradas, isto é: que têm o negro e sua cultura como centro do afeto. O download, gratuito, está disponível para os sistemas Android e IOS.
A ideia surgiu de experiências pessoais frustradas de Fillipe Dornelas, 30, desenvolvedor de software e idealizador do projeto. Ele conta que já passou por situações de racismo em outros aplicativos de relacionamento, e constantemente se sentia fora dos padrões daqueles ambientes.
"Por mais que nós sejamos maioria da sociedade, dentro dos aplicativos não era assim. Geralmente não tinha pessoas pretas, demorava muito para achar uma e ainda assim não necessariamente ia conseguir dar match", afirma.
Denga
Denga, aplicativo de relacionamento para pessoas negras Crédito: Divulgação/Denga
Foi para contrariar essa lógica que Dornelas escolheu "dengo", palavra derivada da língua africana quicongo que significa aconchego, para nomear o aplicativo, que funcionará em todo o país.
Depois de ser desligado de seu último emprego, ele investiu R$ 25 mil no novo projeto e passou a se dedicar com exclusividade ao desenvolvimento do software. O app tem outros três sócios.
O grupo afirma não querer influenciar no tipo de relação que surgirá a partir da rede, que pode ser acessada por pessoas não negras. Eles dizem também que situações de racismo e outros tipos de violência não serão tolerados.
"Se a pessoa simpatizar com a comunidade negra, realmente respeitar e for antirracista, ela vai estar lá e vai ser bem-vinda. Mas o que a gente fomenta é que o aplicativo seja para ajudar pessoas a encontrarem o seu amor afrocentrado", diz a diretora de marketing, Ana Paula Santos, uma das sócias.
De acordo com o grupo, o programa se adequa à Lei Geral de Proteção de Dados e nenhuma informação pessoal será vendida pela empresa. Além disso, não haverá publicidade para os usuários, mesmo na versão gratuita.
A dinâmica é parecida com a das diferentes plataformas de relacionamento - quando o interesse for mútuo, os usuários darão "chamego".
Já no plano VIP, o público terá acesso a benefícios exclusivos, como ver quem curtiu seu perfil ou quem deu uma espiada, mas decidiu não clicar.
O cadastro é feito por meio do número de celular. Após receber um código de verificação via SMS, o usuário é encaminhado para a página de perfil. São pedidas informações como nome, gênero, data de nascimento, profissão e bio (descrição).
É também nessa página que o público sinaliza se gostaria de conhecer homens, mulheres ou os dois. O uso de foto é obrigatório para concluir o cadastro.
Após concordar com os termos de uso e a política de privacidade, uma permissão de acesso da localização é solicitada.
Outro aplicativo com proposta parecida é o CultureCrush, fundado pela empreendedora americana Amanda Spann. O perfil brasileiro da marca no Instagram tem cerca de 5.000 seguidores.

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