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Incêndio nos faz pensar sobre trabalho de atletas adolescentes

Nós, brasileiros, ainda nem nos recuperamos do rompimento da barragem de Brumadinho e mais um "acidente" interrompeu vidas e sonhos de uma forma violenta, diz Bruna Ribeiro

Publicado em 08 de Fevereiro de 2019 às 21:04

Redação de A Gazeta

Publicado em 

08 fev 2019 às 21:04
Incêndio em CT do Flamengo nos faz pensar sobre as condições de trabalho de atletas adolescentes Crédito: Reprodução/Instagram

Nesta sexta (08), um incêndio que deixou dez mortos e três feridos no Ninho do Urubu, Centro de Treinamento do Flamengo na Zona Oeste do Rio de Janeiro, comoveu o país e teve até repercussão na mídia internacional. Muitas perguntas ainda sem respostas. Como aconteceu exatamente? O espaço não tinha mesmo licença da Prefeitura? Por que eles não conseguiram sair? Estavam dormindo e desmaiaram? E as famílias? As mães? Quanta tristeza. (Com informações do "E+", por Bruna Ribeiro)

Nós, brasileiros, ainda nem nos recuperamos do rompimento da barragem de Brumadinho e mais um “acidente” interrompeu vidas e sonhos de uma forma violenta. Há algum tempo ouço falar a respeito das condições de trabalho de atletas adolescentes. Assim como nos casos de trabalho infantil artístico, os meninos e as meninas são movidos por um sonho.

O moleque tem grande habilidade para o esporte e sonha um dia poder se profissionalizar, virar craque, comprar casa para a mãe… Alguns se mudam para longe das famílias em idade precoce. Ficam sozinhos em estados distantes dos de origem. No caso dos atletas do Flamengo, estavam no alojamento apenas aqueles que não residiam no Rio de Janeiro.

É muita dedicação, horas de treino, a vida distante dos pais… mas será que as condições de trabalho estão regulares, condizentes ao contrato de aprendizagem? Como fica o rendimento escolar? E se a carreira não der certo, os garotos estão bem preparados nas outras áreas do conhecimento? Vão seguir outra carreira?

O Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) criou uma força tarefa para apurar as causas e consequências do incêndio. A ação será coordenada pela procuradora Danielle Cramer.

Em entrevista ao projeto Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, Danielle disse que o objetivo é assegurar às vítimas ou às famílias vitimadas a devida reparação pelos danos sofridos e atuar de maneira preventiva, verificando se houve descumprimento de alguma norma trabalhista e cobrar do clube adequação aos parâmetros legais vigentes.

“Nós também vamos verificar a natureza do vínculo que havia entre os adolescentes e o clube. A partir dos 14 anos, eles podem estar vinculados como aprendizes”, explicou.

Outros quatro procuradores também farão parte do grupo: Juliane Mombelli, Maria Vitória Sussekind Rocha, Tiago Oliveira de Arruda e Virgínia Leite Henrique. Eles são integrantes do Núcleo de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescentes e do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho.

É cedo para apontar responsáveis, mas, de forma trágica, estamos sendo convidados a olhar para a vida de adolescentes atletas em outra perspectiva – a perspectiva da proteção de um ser humano ainda em desenvolvimento – não apenas no Flamengo, mas em outras modalidades esportivas e outros clubes.

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