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Eleições 2026

Kassio manda tirar do ar pesquisa que mostrou recuo de Flávio Bolsonaro

Pré-campanha do senador afirma que questionário Atlas/Bloomberg teria sido 'estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa' sobre ele; CEO da AtlasIntel diz que depois de cada ataque injusto instituto se consolida mais

Publicado em 08 de Junho de 2026 às 15:18

Agência FolhaPress

Publicado em 

08 jun 2026 às 15:18
BRASÍLIA - O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu nesta segunda-feira (8) a divulgação de pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrou queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).
O levantamento foi divulgado no último dia 19 de maio. Foram ouvidas 5.032 pessoas através do método Atlas RDR, sigla em inglês para recrutamento digital aleatório, de 13 a 18 de maio.
Kassio atendeu parcialmente a um pedido da pré-campanha de Flávio, que afirma que o questionário da pesquisa teria sido "estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa" sobre o senador. O bolsonarista sustentou ainda que a disposição das perguntas e temas, com "uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados".

Nas redes sociais, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que tentam atacar a reputação do instituto quando os dados não convêm. "A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo", disse. "Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou mais e é justamente isso que vai continuar acontecendo."
A decisão do presidente do TSE foi tomada de forma liminar (provisória) e ainda será analisada pelos demais ministros em sessão da corte eleitoral na terça (9). Até nova deliberação, a AtlasIntel fica proibida de divulgar, impulsionar ou republicar a pesquisa.

De acordo com o questionário disponibilizado pela Atlas ao TSE, o conteúdo de um áudio de Flávio a Vorcaro foi exibido aos entrevistados, mas como último item da pesquisa. Os eleitores que colaboraram para o levantamento foram submetidos a 48 perguntas, as primeiras delas sobre a intenção de voto .

Na última questão, os entrevistados analisaram um vídeo com o áudio e podiam arrastar para a direita quando estivessem "avaliando de forma mais positiva" e para esquerda quando estivessem "avaliando de forma mais negativa o conteúdo". A peça tinha imagens de Flávio e Vorcaro, para ilustrar o diálogo.

No pedido para suspender a divulgação do levantamento, a equipe do pré-candidato do PL à Presidência afirmou que a disposição das perguntas e temas e o "uso de associações" entre Flávio, Vorcaro e o Master "contaminam e induzem as respostas dos entrevistados".

Um dos advogados que assina a solicitação é Maria Claudia Bucchianeri, ex-ministra do TSE. Ela integra a equipe jurídica do bolsonarista.

Em sua decisão, Kassio afirmou que, de fato, tais circunstâncias corroboram os argumentos que indicam "possível utilização de estímulos indutivos aptos a contaminar as respostas subsequentes relativas à imagem, rejeição e intenção de voto, reforçando a plausibilidade jurídica da tese de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística".
Kassio Nunes Marques, ministro do STF e presidente do TSE
Decisão de Kassio Nunes Marques será analisada pelos demais ministros do TSE. Antonio Augusto/STF
O ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não se trata de discordância metodológica, mas de possível indução do entrevistado a partir do questionário, "especialmente em razão da ordem sequencial das perguntas e do emprego de expressões de carga valorativa negativa".
Kassio determinou que o instituto de pesquisas apresente, em até dois dias, a documentação técnica complementar sobre a metodologia do levantamento, especialmente em relação ao uso do áudio de Flávio e Vorcaro, e pediu para que o Ministério Público Eleitoral se manifeste sobre o caso no prazo de um dia.
Anteriormente, a Atlas já havia afirmado em nota não haver qualquer problema metodológico na pesquisa.
Os argumentos da pré-campanha de Flávio usados para pedir a suspensão da pesquisa foram considerados frágeis por dois especialistas consultados pela reportagem.
Apesar de não verem sinais de manipulação nem indução dos principais resultados, eles fazem algumas ressalvas técnicas em relação ao levantamento.

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