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Relação entre poderes

Lula fala em 'rusgas', mas elogia Congresso após vetar mudança na Ficha Limpa

Declaração foi feita em evento no Palácio do Planalto, nesta terça (30), com presença do presidente da Câmara, Hugo Motta
Agência FolhaPress

Publicado em 

30 set 2025 às 19:40

Publicado em 30 de Setembro de 2025 às 22:40

BRASÍLIA - Em cerimônia nesta terça-feira (30), no Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) elogiou o trabalho do Congresso, ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB).
"Eu duvido que em algum lugar do mundo, um Congresso votou tantos projetos num só tempo, e um presidente ter assinado, sabe, cinco projetos em meia hora", afirmou Lula. "Às vezes a gente tem rusgas, às vezes tem divergências, mas, na essência, o Congresso aprovou tudo o que precisávamos que fosse votado", disse ainda.
Motta, por sua vez, afirmou que o Legislativo "é amigo do povo".
Presidente Lula participa de evento no Palácio do Planalto ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
Lula participa de evento no Palácio do Planalto ao lado de Hugo Motta Crédito: Ricardo Stuckert/PR
Feita durante a sanção de cinco projetos de lei no Palácio do Planalto, a declaração ocorre um dia depois de o presidente da República, em derrota do Congresso, vetar parcialmente projeto que flexibilizava as regras da lei da Ficha Limpa. Ocorre também dias após Lula ter classificado a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara, de um "equívoco histórico" e uma "vergonha nacional".
Durante o evento, Lula agradeceu Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais, que tem trabalhado na relação entre os Poderes, utilizou a oportunidade para dizer que todas as pautas relevantes para o governo foram aprovadas pelo Congresso.
Lula disse ainda que poucas vezes na história o governo teve uma relação tão exitosa com a Câmara e o Senado como vem acontecendo.
Na ocasião, Hugo Motta disse que o Congresso ao votar as pautas de combate às desigualdades, mesmo em meio a tantas divergências que são à base da democracia, demonstra o quanto o Congresso tem sido "amigo do povo".
"E em apenas algum alguns dias a casa aprovou todas as cinco matérias assinaladas, dando prova de sua disposição a ouvir a sociedade civil e de seu compromisso com a formulação de políticas que trazem benefício concreto à vida de quem mais precisa", disse.
Entre os projetos sancionados nesta terça estão o Plano Safra e a lei sobre o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).
Além de Motta e Gleisi, estavam presentes também Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos; Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e Osmar Júnior, ministro substituto do Ministério do Desenvolvimento Social.
Nesta terça (30), o presidente Lula almoçou com Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
As declarações elogiosas e o encontro acontecem um dia após Lula vetar parcialmente projeto que flexibilizava as regras da lei da Ficha Limpa. O veto representou uma derrota para o Congresso, que aprovou a pauta impopular com mudanças nos prazos de inelegibilidade de políticos condenados.
Na última semana, o presidente também fez críticas à PEC da Blindagem, que tentava restringir processos contra parlamentares e que foi arquivada pelo Senado após ser alvo de manifestações de rua diante da aprovação da proposta na Câmara.
Além disso, há poucos meses, em julho, o PT publicou vídeos em suas redes sociais com tom de enfrentamento ao Congresso, que explorava o discurso de ricos contra pobres. Na ocasião, o Executivo buscava defender o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem tem renda de até R$ 5.000 e de tributação dos super-ricos.
Lideranças do PT chegaram, inclusive, a fazer um encontro virtual com influenciadores para discutir estratégias de disseminação de conteúdo sobre o tema, em momento em que o governo petista decidiu intensificar o discurso, após a derrubada do decreto sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) pelo Congresso.
O governo, por sua vez, depende do Congresso para aumentar a arrecadação em R$ 40,63 bilhões em 2026 e evitar cortes de investimentos em pleno ano eleitoral, mas as propostas enviadas com esse objetivo enfrentam dificuldades no Legislativo, com críticas ao aumento da carga tributária e afastamento de partidos da base aliada, como União Brasil e PP.
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