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Covid-19

MS cobra Butantan entrega imediata de 6 milhões de doses da Coronavac

O ofício foi encaminhado ao Instituto Butantan após o órgão ter respondido a pedido da pasta de que 6 milhões de doses do imunizante fossem entregues ao governo federal

Publicado em 16 de Janeiro de 2021 às 09:27

Agência FolhaPress

Publicado em 

16 jan 2021 às 09:27
O Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, anunciou nesta quinta-feira (7) a eficácia de 78% da vacina Coronavac contra o novo coronavírus (Covid-19)
MS cobra Butantan entrega imediata de 6 milhões de doses da Coronavac Crédito: Adriana Toffetti/A7Press/Folhapress
Em resposta ao Instituto Butantan, o Ministério da Saúde voltou a solicitar a entrega imediata de 6 milhões de doses da Coronavac e disse que o governo de São Paulo não pode separar a quantidade que será destinada ao estado no plano nacional de imunização contra a Covid-19. Segundo a pasta, cabe a ela o plano de operacionalização.
O ofício foi encaminhado ao Instituto Butantan após o órgão vinculado ao governo de São Paulo ter respondido a pedido da pasta de que 6 milhões de doses do imunizante fossem entregues ao governo federal.
O Ministério da Saúde recorreu ao Butantan depois de o governo federal ver frustrados os seus planos de enviar à Índia um avião para recolher 2 milhões de doses da vacina da Oxford/AstraZeneca, que no Brasil será produzida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
No primeiro ofício com a requisição, a Saúde disse que precisa fazer o "devido loteamento para iniciar a logística de distribuição para todos os estados da federação de maneira simultânea e equitativa".
Em resposta, o Butantan disse que estava faturando a quantia demandada pela Saúde, mas pediu que fosse informada a quantia de doses que serão destinadas ao estado de São Paulo.
Com isso, o instituto quer que as vacinas para a população paulista fiquem com autoridades estaduais.
"Aguardamos orientação de V. Senhoria quanto ao início da campanha de vacinação, com confirmação de data e horários definidos, considerando que deverá ocorrer simultaneamente em todos os estados do Brasil", afirmou o Butantan.
A resposta gerou um novo ofício da Saúde, que disse que a responsabilidade pela elaboração, atualização e coordenação do Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19 é da pasta..
"Não podemos delegar a distribuição das vacinas, sobretudo em razão do estado de excepcionalidade que o país atravessa em razão da pandemia ocasionada pelo novo coronavírus", apontou no documento.
A pasta firmou ainda que as vacinas devem ser entregues em Jardim Santa Vicência, em Guarulhos, São Paulo, como está previsto no contrato.
"Há a necessidade da imediata entrega das 6 milhões de doses para que o cronograma de distribuição das doses não seja comprometido e não ocorra atraso no início da vacinação da população brasileira, sendo ressaltado que todas as etapas da distribuição contarão com apoio do Ministério da Defesa", disse.
O governo de São Paulo resiste a entregar para autoridades federais o lote que cabe ao estado e o impasse pode terminar na Justiça.
A pasta de Eduardo Pazuello argumenta que as doses precisam ser entregues imediatamente, uma vez que foram adquiridas para o Plano Nacional de Imunização.
O ofício ocorreu após o governo da Índia negar a entrega imediata de um lote de imunizantes contra a Covid-19 da Oxford/AstraZeneca ao Brasil, o que frustrou uma operação montada para buscar o material no país asiático ainda neste fim de semana e deve resultar numa derrota política para o Palácio do Planalto.
Na noite desta quinta-feira (14), o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ligou para o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, e fez um último apelo pela liberação de 2 milhões de vacinas produzidas pelo Serum Institute.
O lote seria um adiantamento do imunizante que posteriormente será produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e que é a grande aposta do governo Bolsonaro na "guerra da vacina" travada com Doria.
No entanto, Araújo ouviu de seu homólogo que a situação só seria resolvida "nos próximos dias", o que foi entendido no Itamaraty como uma sinalização de que não haverá liberação no prazo desejado pelo Brasil. Não houve compromisso com uma data específica.
O argumento do país asiático é que não é possível autorizar a transação enquanto não começar a campanha de vacinação na sua própria população.
A comunicação com o indiano frustrou os planos de Bolsonaro de enviar um avião à Índia buscar a carga.
A aeronave da companhia aérea Azul está no Recife pronta para decolar, mas permanecerá em solo enquanto não houver luz verde de Nova Déli.
Em nota divulgada na noite desta sexta-feira (15), a Azul informou "que está pronta para buscar o lote de dois milhões de doses da vacina desenvolvida pela Astrazeneca/Oxford em Mumbai, na Índia, e que aguarda a definição diplomática entre o Brasil e o governo indiano".
O telefonema de Araújo foi o segundo contato de alto nível que o Brasil fez com a Índia para tentar liberar a venda do lote. No último dia 8, Bolsonaro enviou uma carta ao premiê indiano, Narendra Modi, pedindo urgência e ajuda para que a entrega fosse liberada.
O governo prometia a partida da aeronave para a noite desta sexta (15), com retorno previsto para o domingo (17).

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