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Caso Master

PF suspeita que Toffoli tenha dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal, diz revista

Repasse de R$ 35 milhões teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, por meio de transação com holding

Publicado em 11 de Setembro de 2026 às 12:04

Estadão Conteúdo

Publicado em 

11 set 2026 às 12:04

Um relatório da Polícia Federal (PF) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o "beneficiário final" ou "proprietário de fato" do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi mantido em sigilo há sete meses sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nesta sexta-feira, 11.

 Dias Toffoli já negou ter amizade com Vorcaro Rosinei Coutinho/SCO/STF

Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Procurado pelo Estadão na manhã desta sexta-feira, ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.

Segundo o relatório, o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli, e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíse fiscal no Caribe.

Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos

Relatório da PF revelado pela revista Piauí

Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.

Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro. "Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim", escreveu o banqueiro. O cunhado respondeu: "Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim".

Meses depois, em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças de pagamentos. "Aquele negócio do Tayayá não foi feito?", perguntou o banqueiro. Zettel respondeu que já tinha transferido para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.

Por causa disso, Vorcaro se irritou. "Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?", afirmou ao cunhado. Zettel respondeu: "No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele". Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá. "Me fala tudo que já foi feito até hoje". Zettel, então, respondeu: "Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões".

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