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Após divulgação de conversas

PF vai apurar pagamentos de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e checar Eduardo

Investigação deve ser iniciada após representações protocoladas por parlamentares; senador admite ter pedido recursos para banqueiro, mas produtora sustenta que Vorcaro não deu dinheiro para filme sobre Jair Bolsonaro

Publicado em 14 de Maio de 2026 às 19:28

Estadão Conteúdo

Publicado em 

14 mai 2026 às 19:28
BRASIL - Após ter recebido representações de parlamentares, a Polícia Federal (PF) deve abrir uma investigação para apurar os acertos de pagamento entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República.
Uma das linhas de apuração a ser verificada é se os recursos foram desviados para um fundo sediado no Texas ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e usado para custear a permanência dele no país, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia bloqueado contas e dificultado o recebimento de recursos nos EUA.
Essa suspeita foi lançada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), autor de uma das representações à PF pedindo apuração dos fatos.
Senador Flávio Bolsonaro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Acerto de pagamentos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro será apurado pela PF. Agência Senado e Divulgação
Conforme diálogos revelados na quarta-feira pelo site Intercept e confirmados pelo Estadão, Flávio Bolsonaro pediu uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões, sob o argumento de que os valores serviriam para patrocinar a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. As informações constam em diálogos encontrados pela PF no celular de Vorcaro, que também apontam que foram efetivamente feitos pagamentos no valor de US$ 10 milhões.
A PF deve investigar o caminho do dinheiro e verificar se os recursos foram usados, de fato, para a produção do filme.
O parlamentar disse ser "mentira" que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.
"É mentira, de onde você tirou isso?", afirmou, dando uma gargalhada e se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas. Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. Ele chama o repórter de militante e diz: "É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado".
Depois, por nota, o senador defendeu a instauração de uma CPI do Banco Master. "É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", diz a nota.
Notas divulgadas ontem pelo deputado Mário Frias (PL-RJ), produtor-executivo do filme Dark Horse, e da empresa Goup, responsável pela execução do projeto cinematográfico asseguram que nenhum recurso de Vorcaro chegou até eles. A versão contradiz a informação de Flávio Bolsonaro que declarou haver prestações em atraso da ajuda financeira do dono do Master e que por isso entrou em contato com Vorcaro pedindo os pagamentos.
"A Goup Entertainment afirma categoricamente que, dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário", diz nota da produtora.
O senador Flávio Bolsonaro pediu US$ 24 milhões (R$ 134 milhões, em valores da época) a Daniel Vorcaro. O banqueiro pagou US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.
O Intercept diz que parte do dinheiro, ao menos US$ 2 milhões, foi transferido pela Entre Investimentos e Participações, suspeita de atuar em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas.
O fundo tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", de Paulo Calixto, advogado próximo ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
O Grupo Entre, controlador da Entre Investimentos e Participações, disse ao Intercept que "não existe vínculo societário, de controle ou de governança da empresa com Daniel Vorcaro".
A relação do Grupo Entre e Vorcaro não é direta, e aliados de Eduardo estão se fiando nisso para se afastar do escândalo. Nos diálogos entre Vorcaro e Fabiano Zettel divulgados pelo site, Vorcaro diz sugere fazer o pagamento "via Entre", em possível referência à Entre Investimentos e Participações, quando o cunhado escreve que o "câmbio do Master está criando caso", ou seja, dificultando os pagamentos solicitados.
Além disso, o Master pagou R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos, segundo declarações de Imposto de Renda do banco, segundo informações do jornal O Globo.

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