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Caso Anvisa aprove

Testes de vacina nacional podem começar em abril, diz Butantan

Covas afirmou que os testes com a Butanvac podem ser encurtados, contando com uma comparação com outros imunizantes usados contra a doença

Publicado em 26 de Março de 2021 às 19:49

Agência FolhaPress

Publicado em 

26 mar 2021 às 19:49
A Butanvac, vacina experimental desenvolvida pelo Instituto Butantan, pode começar a ser testada já em abril, afirmou Dimas Covas, diretor do instituto, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (26). É preciso, porém, aguardar a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para promover ensaios clínicos em humanos.
Diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas
Diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas Crédito: Ettore Chiereguini/Agif/Folhapress
No evento, o Butantan e o governo do estado detalharam os próximos passos para a Butanvac. A notícia do lançamento da candidata a vacina foi antecipada pelo jornal Folha de S.Paulo.
Covas afirmou que os testes com a Butanvac podem ser encurtados, contando com uma comparação com outros imunizantes usados contra a doença que já foram estudados.
Esse atalho, se tudo der certo, permitiria iniciar a vacinação da população com o produto 100% nacional mais cedo do que nos casos observados até agora. Numa expectativa extremamente otimista, o governador de São Paulo, Joao Doria (PSDB)m levantou a possibilidade de isso ocorrer já em julho.
Ainda nesse coronograma almejado, de acordo com o Butantan, a fabricação de 40 milhões de doses da Butanvac pode ter início no mês de maio, quando o instituto encerra a produção da vacina contra a gripe. As doses que devem ser usadas nos testes, caso sejam permitidos pela Anvisa, já estão prontas, afirma o instituto.
Há pelo menos outras 16 vacinas contra a Covid-19 ainda em fases pré-clínicas de estudo sendo desenvolvidas no Brasil. Um dos maiores entraves para que esses imunizantes migrem para a fase de testes em humanos —a mais demorada e mais cara— é o financiamento.
Na entrevista desta sexta, Dimas Covas afirmou que os gastos com os estudos clínicos seriam bancados pelo Butantan.
O pedido de autorização a ser feito à Anvisa se refere às fases 1 e 2 de testes clínicos, nas quais serão avaliadas segurança e capacidade de promover resposta imune com 1.800 voluntários. Na fase 3, com até 9.000 indivíduos, é estimada sua eficácia.
A Butanvac já passou pelos testes pré-clínicos, quando são avaliados em animais a imunogenicidade (capacidade de gerar uma resposta imunológica) e toxicidade. Segundo Dimas Covas, um laboratório da Índia também fez estudos com a vacina em animais e teria chegado a resultados positivos.
"Nós aprendemos com as vacinas anteriores, já sabemos o que é uma boa vacina contra a Covid-19. Essa será uma vacina de segunda geração, mais imunogênica", afrimou o diretor do instituto durante a coletiva.
Nas fases 1 e 2 dos testes clínicos a vacina será usada em doses diferentes para que o efeito seja observado. O intervalo entre as doses também deve variar nos testes. Covas diz que ainda não é possível saber se a vacina poderá ser aplicada em apenas uma dose ou se precisará de um reforço —como a maior parte das vacinas contra a Covid-19 já distribuídas. ​

ENTUSIASMO E CAUTELA

Pesquisadores brasileiros comemoraram a notícia de uma vacina nacional pronta para ser testada em humanos, mas pediram mais dados e esclarecimentos sobre o desenvolvimento e o funcionamento do imunizante.
Uma vacina totalmente fabricada pelo país pode acelerar o programa de imunização, driblando os entraves internacionais que limitam o recebimento de matéria-prima para a fabricação local das substâncias —como acontece atualmente com a Coronavac e com a vacina de Oxford (Covishield), produzidas no Butantan e na Fiocruz, respectivamente.
"Como cientista brasileira fico feliz, precisamos apoiar as soluções nacionais. Mas também precisamos da publicação dos dados", afirma a imunologista Cristina Bonorino, professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e pesquisadora-associada da Universidade da Califórnia em San Diego.
"Quando os governantes anunciam algo assim, eles devem mostrar o embasamento científico", diz a cientista.
Denise Garrett, epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin, diz que faltaram esclarecimentos com relação à plataforma da vacina. "É louvável a iniciativa do Butantan de procurar uma alternativa que nos traga autonomia na vacina. Precisamos investir em ciência no Brasil. Mas gostaria de saber mais sobre a plataforma", afirma a pesquisadora.
De acordo com Leandro Araújo Lobo, professor do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ter o Instituto Butantan por trás do desenvolvimento impulsiona o imunizante.
"O Butantan tem muita experiência na produção de vacinas e domina todas as etapas da produção de imunizantes em ovos. É uma técnica extremamente barata para fazer a replicação dos vírus que vão fazer parte da vacina", diz o cientista.

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