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Eleições

Campanha política deve incluir propostas sociais para crianças

Não podemos adiar a resposta aos 2,8 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão fora da escola no Brasil - sendo 50 mil no Espírito Santo

Publicado em 10 de Setembro de 2018 às 20:39

Públicado em 

10 set 2018 às 20:39

Colunista

Famílias sem moradia e com crianças pequenas ocupam avenida na Serra
Luciana Phebo*
Por que votar? Pelo menos, há um forte motivo: estas eleições são uma real oportunidade de melhorarmos a vida de milhares de crianças e adolescentes, especialmente as mais vulneráveis e excluídas.
Nas últimas décadas, o Brasil, incluindo o Espírito Santo, avançou significativamente na inclusão social de crianças e adolescentes, mas muitos meninos e meninas ainda ficaram de fora. Por isso, não basta fazer mais do mesmo. Nos próximos quatro anos, é preciso manter as políticas públicas nacionais e estaduais que mostraram resultados e ir além. Precisamos pensar em novos caminhos para chegar às crianças e aos adolescentes que estão excluídos e invisíveis. Precisamos criar novas oportunidades para que cada uma delas alcance seu pleno potencial e contribua com o desenvolvimento capixaba.
Não podemos adiar a resposta aos 2,8 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão fora da escola no Brasil, sendo um pouco mais de 50 mil meninos e meninas no Espírito Santo
No emaranhado de debates e programas do processo eleitoral, é importante reconhecer propostas concretas para desafios complexos que afetam tão duramente as crianças e os adolescentes. Para começar, nada mais urgente do que salvar vidas. No Brasil, a cada dia, 31 adolescentes são vítimas de homicídio. Só no Espírito Santo, 293 jovens de 10 a 19 anos foram assassinados em 2016. E a prevenção da violência vem de mãos dadas com a superação do racismo, pela garantia de oportunidades, passando pela inclusão escolar.
Não podemos adiar a resposta aos 2,8 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que estão fora da escola no Brasil, sendo um pouco mais de 50 mil meninos e meninas no Espírito Santo, segundo dados de 2015. A exclusão escolar e a distorção idade-série despontam como dois graves desafios na educação.
No tema da saúde, a obesidade infantil é um assunto ainda pouco discutido, mas que já afeta milhares de crianças. O Espírito Santo, seguindo a média nacional, tem 10% de suas crianças de 5 a 9 anos com peso elevado para a idade. Precisamos de medidas que garantam alimentação saudável e a prática de atividade física para todas as crianças.
Outro desafio é o direito à participação dos adolescentes. Cerca de 18,5 mil adolescentes capixabas entre 16 e 17 anos tiraram Título de Eleitor para estas eleições. Mas participar da democracia é mais que votar. É necessário ouvir e considerar o que adolescentes têm a dizer e garantir que participem das decisões que impactam sua vida nas escolas, nas comunidades, nos municípios.
Convidamos assim cada eleitor e cada eleitora a perguntar o que os candidatos estão propondo para os principais desafios que afetam as crianças e os adolescentes. Mais do que promessas, precisamos de compromissos reais. É hora de votar pela infância e adolescência.
*A autora é coordenadora do escritório do Unicef no Espírito Santo e Rio de Janeiro

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