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Beatriz Seixas

Candidatos têm propostas, resta saber se terão coragem

Temas espinhosos como reforma da Previdência devem estar na pauta da campanha

Publicado em 11 de Agosto de 2018 às 01:08

Públicado em 

11 ago 2018 às 01:08
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Urna eletrônica Crédito: ABr Edson Chagas
Nos últimos dias, os seis nomes que vão compor a corrida pelo governo do Estado – André Moreira (PSOL), Aridelmo Teixeira (PTB), Carlos Manato (PSL), Jackeline Oliveira Rocha (PT), Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (Podemos) –, bem como os seus respectivos vices, foram aclamados candidatos em convenção e apresentados à sociedade capixaba. Agora, com o tabuleiro político posto, o próximo passo que interessa para o eleitor são as propostas que deverão ser expostas por eles no decorrer da campanha.
Não há dúvidas que educação, saúde e segurança são temas sensíveis em qualquer processo eleitoral e devem estar no centro dos debates. Mas, desta vez, um viés que não pode ser tratado superficialmente é o econômico. Os candidatos que esperam assumir o Palácio Anchieta têm que ter claro que não há espaço para promessas descoladas do orçamento.
Se há um jingle, ou melhor, um mantra, que deveria ser cantado desde já pelos políticos e repetido até o final do mandato de quem vier a se eleger é o do equilíbrio fiscal.
Alguém pode questionar que é exagero cobrar desde já do futuro governador esse olhar para as finanças públicas, uma vez que o Espírito Santo não se encontra em situação tão crítica quanto outras federações, a exemplo do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Mas perseguir a austeridade desde o princípio da gestão é garantir que haverá recursos para pagar professores e os outros servidores, para manter hospitais e escolas funcionando, para oferecer condições de trabalho para as equipes de segurança que estão nas ruas, e para realizar investimentos, algo que desde o início da crise em 2014 passou a ser cortado bruscamente em todas as esferas de governo.
Novamente: o cenário por aqui não é de caos, porém é dramático conforme mostram os números. São mais de 260 mil trabalhadores desempregados no Estado, 67% das famílias estão endividadas, a economia cresce lentamente e deve fechar 2018 com um PIB entre 1% e 2%. A Samarco, que representa 6% do PIB capixaba, permanece sem previsão de voltar a operar. Fora isso, o Espírito Santo padece de uma infraestrutura ultrapassada, que década após década só serve para tirar o dinamismo da economia e deixá-la menos competitiva.
O que vai ser feito em relação a cada um desses temas é o que precisa ficar claro nos programas de governo de cada candidato, material obrigatório de ser apresentado ao eleitor, embora muitas vezes esse conteúdo seja superficial e de pouca qualidade.
Para a economista Arilda Teixeira, melhorar a atratividade do mercado para o investimento é um bom caminho para quem vai comandar o Espírito Santo rumo ao desenvolvimento sustentado. “O Estado é carente de infraestrutura e de mão de obra qualificada. É pouco diversificado e não tem uma integração boa entre as suas atividades. Por isso, acredito que o governante que for escolhido poderia começar explorando o que o Estado tem de melhor, que é o seu potencial para negócios, especialmente no turismo. A percepção de muitas pessoas nessa área até existe, mas está faltando tomar atitude. O turismo tem um potencial multiplicador enorme na economia e é capaz de ser trabalhado de Norte a Sul do Espírito Santo.”
Criar um ambiente favorável como o citado por Arilda depende também da saúde fiscal da administração. Por isso, é essencial cobrar como o próximo governador pretende lidar com um rombo anual da ordem de R$ 1,8 bilhão na Previdência do Estado. O assunto não é nada populista e toda vez que alguém toca nele parece cutucar uma caixa de marimbondos. Mas esse é um dos debates mais urgentes a serem tratados e resolvidos.
Se uma reforma no atual modelo das aposentadorias dos servidores não acontecer, as projeções indicam que em 2030 esse déficit vai alcançar R$ 3 bilhões. Ainda que dependa da reforma previdenciária nacional, o que resta saber é se algum candidato terá a coragem de enfrentar esse espinhoso assunto durante a campanha eleitoral sem lançar mão de ideias artificiais.
Crédito:
EM ROTAS OPOSTAS
Depois de mais de 30 anos, a Vale encerrou o contrato de transporte de funcionários com a Vix Logística. Agora, quem presta o serviço é a empresa Unimar.
PRODUTIVO, MAS...
O setor metalmecânico capixaba sai na frente do país quando o assunto é produtividade. Dados do Ideies mostram que de 2007 a 2015, a metalmecânica local apresentou resultados superiores, sendo nesse último ano 21% maior. Mas, com a paralisação da Samarco, em novembro de 2015, esse patamar mudou. Essa relação ficou 14% menor do que a média brasileira no ano de 2016.
POBRES POLÍTICOS
Começou a temporada que os candidatos fazem a declaração dos seus bens aos tribunais eleitorais. A partir dela conseguimos chegar a duas conclusões: ou a turma está escondendo o jogo sobre o patrimônio real ou os candidatos não são muito bons em fazer um pé de meia.
Entrevista Márcio Félix
Márcio Félix é secretário executivo do Ministério de Minas e Energia   “A ELETROBRAS AINDA É UM DESAFIO QUE TEMOS”
Na reta final do atual governo, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix, contou à coluna que a expectativa é que a pasta consiga superar alguns desafios, como resolver a saúde financeira da Eletrobras, até o final do ano. Ele esteve no Estado, na última quarta-feira, quando foi homenageado pelo apoio ao desenvolvimento do Espírito Santo, durante a Mec Show.
Faltando poucos meses para o fim deste governo, quais pautas o senhor avalia como essenciais de serem trabalhadas?
Na área da Mineração é fundamental colocarmos para funcionar a Agência Nacional de Mineração, que é uma mudança de patamar que o país vai alcançar. Depende ainda da indicação e da aprovação dos diretores da agência. No setor elétrico temos o desafio direto de resolver a saúde financeira da Eletrobras, que depende das distribuidoras que são deficitárias. Mas o Senado acabou optando para deixar para votar esse tema depois das eleições. E na área de óleo e gás temos a cessão onerosa, que é importante ser definida para garantir as oportunidades que o país tem nos próximos anos. Também esperamos aprovar a lei do gás.
Quais foram os principais resultados obtidos?
A retomada do setor de óleo e gás é o mais marcante. Há dois anos, se dizia que o Brasil não era competitivo, mas aí o país se tornou o principal atrator de investimentos na área de exploração e produção de petróleo do planeta. A retomada dos leilões contribuiu muito para isso. Outro resultado positivo vem do leilão da área de energia elétrica. O leilão de transmissão e de geração de energia tem batido recordes em ágio e em número de interessados. O programa de biocombustíveis, o Renovabio, que virou lei é outro destaque. Ele está sendo estabelecido, fazendo com que o Brasil entre como competidor moderno para essa nova era de veículos elétricos. No futuro, estão previstos veículos elétricos híbridos com o etanol. Uma coisa interessante é que, na última semana, durante reunião do Comitê de Infraestrutura do governo, a área de Minas e Energia foi citada como a que mais atraiu investimentos nos últimos dois anos.
Vê com preocupação a forma como o presidente que vier a ser eleito vai tocar os projetos? Acredita que pode haver interrupção do ciclo?
Claro que as eleições são importantes. O presidente da República tem um papel importante. Mas o Brasil tem um equilíbrio entre os poderes. O poder Judiciário terá mudanças pontuais. No caso do legislativo, tudo indica que deva ter uma renovação normal. Então, não vai mudar muito. Além disso, o Brasil tem uma tradição de respeitar contratos. Outro ponto é que as equipes econômicas dos candidatos já estão conversando com o governo e tomando pé da real situação. Estamos investindo para fazer uma passagem de serviço da melhor forma possível. Com isso, esperamos diminuir qualquer risco. O desafio é não ter nenhum salto de descontinuidade em 1º de janeiro de 2019.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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