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Gabriel Tebaldi

Celebrando o oitavo aniversário

Livre expressão e debate são ilusões hipócritas vendidas por intelectuais. Na nação carente de heróis, há sujeitos acima da crítica e do ridículo

Publicado em 20 de Julho de 2018 às 19:41

Públicado em 

20 jul 2018 às 19:41

Colunista

Colunista Gabriel Tebaldi Crédito: Amarildo
Onde você estava em julho de 2010? Como era então sua vida?
Naquele ano, um professor, ao ler minha redação sobre o Enem 2009, provocou-me: “Por que você não manda para A GAZETA?”. Em julho, o telefone tocou. Era Vitor Vogas, convidando-me para um desafio maior que o vestibular: escrever uma coluna semanal no maior jornal do Espírito Santo.
Na época, cursava o 3º ano do ensino médio e sonhava com o curso de História da Ufes. No colégio, os professores sempre haviam sido meus ídolos. Queria ser como eles. Passava dez horas por dia na escola; sonhava ficar por ali mais uns 30 anos.
No turbilhão dos últimos oito anos, assinei, neste jornal, 419 artigos. Entre polêmicas prementes, outras desnecessárias (impulsos da idade), saí da adolescência e percorri aqui a juventude. Com aplausos, críticas e ameaças, sempre pautei minha verve na independência e liberdade de pensamento. Honestidade e sinceridade. Desapontei alguns, dei voz a outros e dormi 419 sábados com a consciência tranquilíssima.
No turbilhão dos últimos oito anos, assinei, neste jornal, 419 artigos. Entre polêmicas prementes, outras desnecessárias (impulsos da idade), saí da adolescência e percorri aqui a juventude
Infelizmente, esse tempo também ensinou que a livre expressão e o debate são ilusões hipócritas vendidas por intelectuais. Na pobre nação que carece de heróis, há sujeitos acima da crítica, da razão e do ridículo. A duras penas, entendi que aquele que dispara ofensas diz mais sobre si mesmo do que sobre o alvo de seus ataques.
Meus últimos oito anos, mantiveram viva a máxima de Lewis Carrol: “Para quem não sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”. Sou movido por objetivos: vivo-os ao máximo. Às vezes, exagero, diz minha mãe. Mas o mundo, creio, carece de positividades, de brilho nos olhos, de vontade de viver. Nem Deus não suporta os mornos: “Porque não és quente, nem frio, vomitar-te-ei de minha boca” (Ap. 3: 16).
Acima de tudo, esses oito anos presentearam-me com pessoas extraordinárias que nunca mediram esforços para me instruir, apoiar e dar forças. Acolheram-me em viagens, com pizza às 6 da manhã, boas conversas regadas a vinhos e queijos e ligações em meio à correria diária para fazer brilhar a força do amor.
Uma coisa é certa: em 2010, jamais imaginaria o quão belo seria 2018!
*O autor é graduado em História e Filosofia e pós-graduado em Sociologia
 

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