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Opinião

Chega de espetáculos políticos

O TJES condenou o deputado Hércules Silveira e o MDB a pagarem dívida de R$ 22 mil a um motorista que trabalhou em sua campanha a prefeito de Vila Velha em 2008. Ele pode recorrer

Publicado em 24 de Maio de 2018 às 21:44

Públicado em 

24 mai 2018 às 21:44
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Crédito: Amarildo
A CPI dos Maus-Tratos, presidida pelo senador Magno Malta (PR), convocou o pastor Georgeval Alves Gonçalves, apontado pela polícia como o responsável por violentar e matar os meninos Kauã e Joaquim, para depor à comissão hoje, às 10h, em audiência realizada no auditório do Ministério Público Estadual, em Vitória. Parece oportunismo. E é.
Para de show...
Francamente, oportunismo político tem limite. Esse caso agora compete à Justiça. Que diferença essa audiência fará? A que e a quem exatamente ela serve? Tirando, é claro, ao próprio senador, candidatíssimo à reeleição. É bem possível que a audiência se transforme em mais um triste espetáculo, como outras da mesma comissão. Instalada em 2017, essa CPI é, desde o início, o “Show de Magno”.
Não só essa
A propósito, que diferença qualquer CPI, no Congresso ou na Assembleia Legislativa, realmente tem feito para a sociedade nos últimos tempos?
Ajude-nos, senador!
Os defensores da iniciativa dirão: pelo menos ele está fazendo algo; pelo menos ele está tentando ajudar. Respondemos com uma pergunta: ajudar a quem?
Agora vai
Enquanto isso, a assessoria de Rose de Freitas (Podemos) fez estardalhaço ontem à noite porque a senadora “decidiu ficar em Brasília para participar das negociações e das votações com o objetivo de reverter a crise dos combustíveis”.
Que bom, né!
Ainda bem, mas fica a pergunta: esse não é o papel de todo senador? O presidente, Eunício Oliveira, não convocou sessão extraordinária? E Magno, a propósito, também não tinha que estar lá?
De um climão para outro
Realizada na manhã de quarta e requerida por Magno Malta, a sessão solene no Senado em celebração aos 50 anos da Igreja Maranata salvou o governador Paulo Hartung (MDB) de um embaraço político, mas o jogou em outro. Na mesma manhã, ocorreu o desfile cívico-militar em Vila Velha, por ocasião do 483º aniversário da cidade. Hartung zarpou para Brasília e mandou a Vila Velha o vice César Colnago, que o representou ao lado do prefeito Max Filho, desafeto de ambos.
Campo minado
Acontece que, em Brasília, a sessão em homenagem à Maranata foi um campo minado político. Além de Hartung, estavam presentes Rose e o ex-governador Renato Casagrande, seus prováveis adversários nas eleições. Hartung e Casagrande não se cumprimentaram. O governador ficou na mesa de autoridades. Rose e Casagrande, na primeira fila da plateia, sentados lado a lado.
Sem lugar seguro
A própria mesa de autoridades também não estava muito convidativa para Hartung. Estava lá o presidente do Senado, Eunício Oliveira, um dos caciques do MDB nacional (e, mesmo pertencendo à mesma tribo partidária, Hartung não fuma cachimbo com esse cacicado). Estava lá o proponente da sessão, Magno Malta, que nunca foi aliado de Hartung. E também o deputado federal Carlos Manato (PSL), apoiador de Jair Bolsonaro (PSL).
“Deixa eu sair daqui”
Para completar, o próprio Bolsonaro apareceu por lá e discursou. Casagrande também fez pronunciamento. Hartung não ficou para ouvir nenhum dos dois. Logo no início da sessão, fez uma fala de dois minutos, pediu desculpas, disse que tinha que ir para São Paulo. E foi.
Igreja Maranato
Presidindo a sessão, Eunício quis prestigiar Manato, que lá estava como representante da Mesa da Câmara. Mas, talvez pelo tema da sessão, o senador se confundiu: chamou-o de “Maranato”.
Luiz Carlos Moreira
Apesar de ser o líder de Audifax Barcelos (Rede) na Câmara da Serra, Luiz Carlos Moreira (MDB) tem mantido posição dúbia nestes dias que antecedem a eleição da Mesa Diretora. Ele mantém conversas com representantes dos dois lados: aliados de Audifax e adversários do prefeito, liderados pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Caldeira (Rede). “Trabalho por uma chapa única e pela harmonia da Casa”, afirma o experiente parlamentar.
Abre o olho, Audifax
Em uma disputa totalmente equilibrada, o voto de Moreira, como ele sabe bem, pode ser decisivo a favor da chapa de Caldeira ou da chapa vinculada ao prefeito. Por isso, a tendência é que ele deixe para se decidir no último momento.
Defesa de Vidigal
Moreira rechaça, ainda, participação do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT) nas articulações visando ao comando da Mesa Diretora. “Não bota isso na conta do Vidigal. Ele não está nisso. Ele não conversa com vereadores. Isso é uma questão interna corporis, é luta política interna da Câmara. Tem o grupo do prefeito, que está querendo ganhar a eleição, e tem o grupo do Caldeira.”
Líder “solto”
“Moreira estava meio solto. Estava conversando com o outro grupo também. Mas hoje já declara apoio ao prefeito”. afirma o vereador Miguel da Policlínica (PTC). Mas não é bem assim não. Parece que a “soltura” continua.
É Moreira, é Madureira...
Miguel ainda afirma que o procurador-geral da Câmara, Matheus Sobreira, foi nomeado por Rodrigo Caldeira por indicação de Marcos Madureira, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCES). A assessoria da Câmara informa que o procurador já trabalhou no TCES, bem como no TJES. Mas refuta influência de Madureira na nomeação. “Foi indicação exclusiva do presidente Rodrigo Caldeira”. Ele foi nomeado em março, assim que Caldeira voltou à Presidência.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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