Sob alerta vermelho do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), diversas cidades do Espírito Santo registraram alagamentos na noite de quarta-feira (3). Houve água invadindo a obra do Mergulhão de Camburi e queda de energia na Mata da Praia, em Vitória, transtornos no entorno do Terminal de Itacibá, em Cariacica, além de enchentes e do transbordamento de uma nascente no Sul capixaba. O temporal causou até a queda de uma árvore na Praia da Costa, em Vila Velha. Afinal, o que está provocando a instabilidade no tempo?
Segundo a empresa de meteorologia Climatempo, a causa das chuvas é uma frente fria e a nova Zona de Convergência do Atlântico Sul, ou, na forma abreviada, ZCAS (a pronúncia é zacas) – que atuam em grande parte do Sudeste.
Por esse motivo, a situação ainda é de perigo no Espírito Santo nesta quinta-feira (4), devido ao volume elevado de chuva ao longo do dia e possibilidade de rajadas de vento. O Estado permanece sob alerta vermelho do Inmet para alagamentos até a manhã de sexta-feira.
"Entre os dias 1 e 2 de dezembro, tivemos a passagem de uma frente fria pelo Sul e Sudeste. Quando ela passa e estagna em uma região, a gente chama de frente fria estacionária, e é o que está acontecendo no momento. Essa frente fria vai permanecer no Espírito Santo pelo menos até o dia 7 de dezembro, e ainda vai causar muita chuva na região", detalhou o meteorologista Márcio Bueno, da Tempo OK.
O que é ZCAS?
De acordo com a Climatempo, a ZCAS é caracterizada por uma larga e prolongada zona de convergência de umidade sobre o Brasil, que gera grandes áreas de chuva sobre parte do país, por vários dias consecutivos. Ela é responsável por um período prolongado de chuva frequente e volumosa sobre parte das regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste. A influência sobre estados da Região Sul é pouco usual, mas pode ocorrer.
Em muitas áreas dessas regiões, o elevado volume de chuva produzido durante um episódio da ZCAS pode representar grande parte da chuva do trimestre mais chuvoso do ano.
Quando a ZCAS se forma, uma extensa faixa de nuvens carregadas persiste sobre o Brasil por vários dias consecutivos, cruzando o país sobre parte da Região Norte, do Centro-Oeste e do Sudeste ou até do Nordeste.
Um dos critérios técnicos para determinação de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul é o tempo de persistência das áreas de chuva frequente sobre uma mesma região. As áreas de instabilidade devem persistir por um período mínimo de 4 dias.
Transtornos da chuva na última quarta-feira (3)
Vitória, segundo a prefeitura, registrou 55 mm de chuva no ponto de maior concentração, em pouco mais de uma hora. Houve relatos de queda de energia na Mata da Praia, com raios e trovões, alagamentos em ruas do Centro e na obra do Mergulhão de Camburi.
Em Cariacica, teve acúmulo de água no entorno do Terminal de Itacibá, causando um longo engarrafamento devido à água acumulada na via. Por volta das 21h, com a diminuição da intensidade, a água já havia escoado da região.
No Sul do Estado houve enchente na Comunidade de São Rafael, em Mimoso do Sul, transbordamento de cachoeira de nascente e entupimento de manilhas em Guaçuí. Em Rio Novo do Sul, além de ruas alagadas, as chuvas causaram danos em um supermercado e na Escola Estadual Waldemiro Hemerly.
Chuva vai continuar até quando?
Conforme o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a chuva persiste em todas as cidades capixabas nesta quinta e sexta-feira (5). No sábado (6), a instabilidade perde intensidade no Espírito Santo, mas a umidade trazida pelos ventos costeiros mantém a nebulosidade sobre o Estado. Há previsão de chuva fraca em alguns momentos, assim como no domingo (7).
Frente fria e ZCAS explicam chuva forte no ES