Um aluno, empolgado com o trabalho acadêmico que acabara de produzir, pediu ao seu professor (Blaise Pascal) que fizesse a crítica. O gênio passou os olhos por alguns segundos e devolveu o manuscrito dizendo: "Leve embora daqui, pois, isto nem errado está!".
Sempre encarei esta anedota como uma ode ao erro. Ou seja, fosse erro, o professor teria criticado, explicado e corrigido. Todavia, há coisas que estão situadas fora do terreno do erro ou acerto (como inúmeras frases pronunciadas pela ex-presidente Dilma). Na última semana, recebi alguns vídeos e diversas mensagens de pessoas “eufóricas” questionando se os governadores, em particular Renato Casagrande, iriam aceitar o desafio proposto pelo presidente.
Explico: Jair Bolsonaro declarou que zeraria os impostos federais sobre os combustíveis caso os chefes estaduais cometessem o mesmo desatino. Seguiu-se uma explicação didática, equilibrada e extremamente responsável por parte do nosso governador: Contextualizou, explicou a razão da impossibilidade e se colocou a disposição para discutir, de forma “séria”, o problema.
O que há de tão alarmante em mais uma declaração “improvisada” pelo presidente? Nada. Penso até que o mercado e aqueles com inteligência mais sofisticada já precificaram essa coleção de besteiras e seguem exercitando a normalidade. Com justiça, não se lhe devem ser tirados os méritos por ter permitido ao ministro da Economia a escalação de um time de alto nível, ter colocado na infraestrutura um craque como Tarcísio de Freitas, ter desaparelhado as estatais, além de outros acertos louváveis e que merecem mais divulgação.
Mas, com tudo isso, carrego uma dúvida honesta: saber se tais declarações são fruto de ignorância genuína, de respostas irritadas e impensadas às provocações da imprensa, de uma natureza incendiária incontornável ou de mera antecipação do período eleitoral?!
Enquanto a dúvida persiste, resolvi, por uma questão pragmática e por torcer muito pelo sucesso do presidente/Brasil, que quando ocorrerem “tais falas” (só neste momento) vou colocar o nosso presidente na categoria de inimputável. Sofrerei menos! Agora, parlamentares, professores, advogados e outros mais que vi acreditando que é possível “zerar” os impostos estaduais e federais sobre combustíveis... além de lhes faltar cidadania tributária, fica difícil não lembrar do Mágico de Oz na seguinte passagem:
“Espantalho – Eu não tenho um cérebro... só tenho palha. Dorothy – Como você pode falar se você não tem um cérebro? Espantalho – Eu não sei... Mas algumas pessoas sem cérebro falam de monte, não é? Dorothy – É, eu acho que você está certo.”
Eu não penso isso (que fique bem claro). Quem pensa é o espantalho. O que eu penso é que a mencionada declaração do excelentíssimo senhor presidente só não compete com aquelas produzidas pela ex-presidente Dilma por duas razões: Ela é hors concours neste quesito e as falas do presidente, com todo o disparate, costumam ter início, meio, fim e até uma lógica bem peculiar. Aqui sou eu quem pensa, não o espantalho!