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É preciso mais que boa vontade

Publicado em 24 de Fevereiro de 2019 às 17:27

Públicado em 

24 fev 2019 às 17:27
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Os primeiros 55 dias da gestão de Jair Bolsonaro (PSL) têm mostrado que o Espírito Santo não está passando indiferente ao olhar do governo federal. Desde que o presidente e sua equipe assumiram, temas ligados à infraestrutura capixaba têm ganhado destaque na agenda do Palácio do Planalto. Até agora, áreas como a rodoviária, a ferroviária, a portuária e a aeroportuária já passaram pelo radar da União. O ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas, por exemplo, já disse que, com a concessão antecipada da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM), uma linha férrea será construída de Vitória a Anchieta.
Também foi Tarcísio quem confirmou a mudança da diretoria da Codesa e a intenção do governo de desestatizar os portos públicos do Estado. Além disso, o ministério comandado por ele vai realizar nos próximos dias o leilão para a concessão do Aeroporto de Vitória. Antes, porém, o chefe da pasta virá ao Estado. A previsão é que isso aconteça ainda neste mês.
No modal rodoviário, além do compromisso que o ministro tem firmado com o governador Renato Casagrande (PSB) e membros da bancada, o presidente da República reforçou, na última sexta-feira, o interesse de melhorar as nossas estradas. De acordo com Bolsonaro, o governo está fazendo estudos para conceder as BRs 262 e 381, ambas entre Minas Gerais e Espírito Santo, informação que foi noticiada em primeira mão pela coluna há cerca de um mês.
É bem verdade que é cedo para comemorar a cesta de bondades logísticas. Da intenção de melhorar a infraestrutura até a sua concretização há um longo caminho a ser percorrido, com um grande volume de recursos necessários para viabilizá-la. Mas não é possível ignorar que o governo está atento há muitas das demandas históricas do Espírito Santo, demandas essas primordiais para o ganho de competitividade.
Aliás, não é à toa que as expectativas reservadas para o Estado são positivas nesta largada do governo. Alguns dos empreendimentos já vinham sendo encaminhados pela equipe do então presidente Michel Temer e, como o próprio Tarcísio de Freitas estava à frente de parte deles, houve uma continuidade no planejamento federal.
Também vale ponderar que alguns projetos vão contribuir para o caixa da União, como a concessão do Aeroporto de Vitória com o de Macaé, ou seja, não é só uma questão de ajudar o Espírito Santo. Até porque, nesse caso do Aeroporto, que depois de tantos anos de espera foi inaugurado em 2018, estávamos bem resolvidos.
Mas o fato de ser benéfico para o governo federal em nada nos afeta. Se a União sai ganhando e nós também, bingo! Que mal há nisso? Mal haverá se continuarmos com uma infraestrutura deficitária e que pouco ou nada avançou da década de 60 para cá.
Nesse contexto, a bancada capixaba terá papel decisivo. Com o olhar do governo federal para a nossa infraestrutura, temos que batalhar para que ele não seja desviado para outros focos. O time de Bolsonaro já reconhece os gargalos capixabas, mas em Brasília, muitas vezes leva a melhor quem sabe gritar mais alto. Por isso, as pautas ligadas à Codesa, à concessão de rodovias e a construção de ferrovia, ou outras relacionadas à infraestrutura, precisam ser defendidas com afinco pelos nossos parlamentares.
O Brasil está passando por um processo de reestruturação. Depende da reforma da Previdência para equilibrar as contas públicas e retomar o crescimento. Mas depois que superar essa fase de mudança nas regras da aposentadoria, uma outra etapa estará só começando, que é a de criar um ambiente favorável para o desenvolvimento. E é aí que a infraestrutura fará toda a diferença. Se formos capazes de garantir hoje a melhoria das condições logísticas do Estado, estaremos garantindo também o crescimento da nossa economia amanhã. É simples! Ainda assim, estamos falhando há décadas.
O terror do Cade
A fusão da Nestlé com a Garoto, que está há aproximadamente 15 anos no Cade, é considerada internamente como super complexa. Quem atua no órgão diz que é o pior caso da história. “Ele mete o terror no Cade. Além de se arrastar por muito tempo, com idas e vindas, há um jogo de poder pesado. É por isso que o impasse nunca tem fim”, diz uma pessoa ligada ao órgão.
Será fato ou teoria da conspiração?
Falando em Garoto e Nestlé, um comentário que vira e mexe faz parte das rodas de bate-papo é que a qualidade do bombom Serenata de Amor já não é mais a mesma. Um ex-gerente da Nestlé disse à coluna que a mudança de sabor não é à toa. “É parte de uma estratégia. O que se fala nos bastidores é que as empresas mudaram a receita do Serenata. Assim, quando o Cade obrigar a venda do tradicional bombom, ela terá a fórmula original e irá lançá-la no mercado.”
Desemprego é maior na Grande Vitória
Na última sexta, o IBGE divulgou a taxa de desemprego em todo país de 2018. Um dado que chamou a atenção foi o da desocupação na Grande Vitória que, no primeiro trimestre, chegou a 14,8%, média superior a do Brasil no auge da crise, de 13,7%. Já no fechamento do ano, a Região Metropolitana apresentou um resultado (12,1%) próximo do nacional (12,5%). Mas foi pior do que a média estadual, que teve uma taxa de 10,2%.
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
 
"A nossa meta na loja é de vender 192 motos por ano. Mas, somente até maio, vamos atingir 150 unidades. Acredito que com o trabalho que estamos desenvolvendo vamos passar ilesos à crise", diz Diego Lobato, diretor-proprietário de uma loja de motos Crédito: Vitor Jubini
Nome: Diego Lobato
Empresa: Vitória Harley-Davidson
No mercado: há 3 anos
Negócio: automobilístico
Atuação: Espírito Santo
Funcionários: 22
Economia: Otimista com prudência
Pedra no sapato: A fragilidade imposta à sociedade por uma parcela da classe política.
 
Tenho vontade de fechar as portas quando: Não há espaço para uma vontade “negativa” dessas.
 
Solto fogos quando: Concluímos e validamos uma etapa da missão e abrimos novas possibilidades de desenvolvimento.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: O acesso ao crédito com preço justo. O país já tem uma Selic razoável, porém os spreads bancários são abusivos. Assim, o financiamento ao consumidor ainda é caro.
 
Minha empresa precisa evoluir em: Agregar valor em “experiência” ao nosso público.
 
Se começasse um novo negócio seria...: Um negócio atrelado a uma marca que tenha como força “experiência” na relação com o cliente.
Futuro: Focar nas metas traçadas, ter resiliência, utilizar os aprendizados de ontem, e aproximar de boas pessoas para evoluir sempre.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: Jorge Paulo Lemann, pela sua sabedoria de envolver pessoas boas ao seu redor e a forma com que ajuda no desenvolvimento delas.

Beatriz Seixas

Beatriz Seixas Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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