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Negócios

Depois do lucro recorde de 2024, Bandes terá um 2025 muito desafiador

O cenário macroeconômico não é nada simples, ainda mais para um banco cuja carteira é majoritariamente ligada a investimentos. Alta dos juros é o que mais aperta

Publicado em 03 de Fevereiro de 2025 às 17:23

Públicado em 

03 fev 2025 às 17:23
Abdo Filho

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Abdo Filho

afilho@redegazeta.com.br

Agência do Bandes: banco quer ampliar participação no interior do ES
Agência do Banco de Desenvolvimento do Estado do Espírito Santo Crédito: Divulgação/Bandes
O Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), fechou o ano passado com números interessantes. A começar pelo lucro líquido recorde, de R$ 99,3 milhões. Muito embora o resultado tenha sido impulsionado por um resgate extraordinário de créditos tributários (de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido) da ordem de R$ 40 milhões, medida que só pode ser acionada a cada dez anos, o número não deixa de ser relevante. Olhando um pouco mais no detalhe, outras informações interessantes. O crédito liberado ficou em R$ 510 milhões e grande parte disso, algo perto de 70%, foi para investimentos. A indústria respondeu por quase metade (42%) do crédito contratado e a inadimplência ficou em 1,28%, bem abaixo da média de mercado (2,32%).  
Na coletiva de imprensa para a apresentação dos resultados, o governador Renato Casagrande comemorou os números e pediu ao presidente do Bandes, Marcelo Saintive, em tom de brincadeira, um novo recorde para o ano que vem. Economista experimentado que é (já comandou, por exemplo, a Secretaria do Tesouro Nacional), Saintive sabe que o cenário macroeconômico não é nada simples e que 2025 vai ser muito desafiador, ainda mais para um banco cuja carteira é majoritariamente ligada a investimentos. Juros em forte alta, economia desacelerando e ambiente econômico nebuloso no Brasil e no exterior não ajudam em nada.
"Juros em alta tornam o cenário mais desafiador, afinal, o investidor coloca o pé no freio dos investimentos, que foi o nosso principal vetor de expansão em 2024. Além disso, é um cenário em que o tomador, o que já está com o recurso na mão, tende a vir renegociar. É um cenário que exige cautela", assinalou Saintive.
O vice-governador Ricardo Ferraço faz uma leitura parecida. "É claro que queremos ver o dinheiro girar, mais investimentos, mas estamos lidando com recurso público, é preciso cautela. Estamos em um quadro nacional que impacta o custo do dinheiro, expressa preocupações, e o mundo também está mais complicado, estamos vendo uma forte onda de protecionismo. O Espírito Santo não é uma ilha, claro que tudo isso vai nos impactar", ponderou. 

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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