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Pagando pra ver

A felicidade de quem vai receber o dinheiro "esquecido" do Banco Central

No ato, instalou-se uma felicidade de menino de Cachoeiro diante de uma tábua de pirulitos e a curiosidade de servidor aposentado em saber a origem e, sobretudo, o montante do que tenho a receber por não ter ido buscar o que é meu

Publicado em 18 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

18 fev 2022 às 02:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

alvaro@bambuzau.com.br

*** FOTO DE ARQUIVO *** SÃO PAULO, SP, 21.08.2019 - Still dinheiro. Cédulas. Real. ()
Dinheiro está depositado numa conta em meu nome, à minha disposição Crédito: Gabriel Cabral/Folhapress
Fiquei bem impressionado com a atitude do Banco Central de criar um canal para informar aos brasileiros o que alguns deles têm a receber do governo federal. Dá a impressão de que, finalmente, estamos vendo, em meio a tantos absurdos desmoralizantes, ao menos um sinal típico de um país sério, capaz de surpreender De Gaulle, ex-presidente francês, e muitos dos que nos têm na conta do país do futebol e do carnaval.
Digo isso como um cidadão que cumpre religiosamente suas obrigações para com as mais diferentes instâncias governamentais que nos cobram dinheiro, na forma de impostos, taxas e multas, sempre em montantes crescentes e em valores rigorosamente corrigidos.
Incluo aqui a discutida cobrança que ainda atinge os que moram em áreas situadas dentro dos terrenos da Marinha do Brasil, uma faixa de 33 metros de largura, definida com base na média das marés baixas e altas verificadas no ano de 1831. O Google informa que ela foi estabelecida pela Coroa Portuguesa, em busca de outras receitas, sob o pretexto de assegurar espaço que permitisse o livre deslocamento de um pelotão militar ao longo de todo o litoral.
Voltando ao assunto em pauta, a imprensa noticiou que a primeira tentativa do BC de oferecer acesso àquelas informações deu com os burros n’água, tamanha foi a sede com que milhares de brasileiros esperançosos foram ao pote.
Dias depois eu soube, e fiquei ainda mais impressionado, que havia sido criada uma segunda solução, agora baseada no uso do bom senso. Descrente, fui ao site, digitei o meu CPF e a data de nascimento e recebi, imediatamente, o agendamento de uma data para receber o meu dinheiro.
No ato, instalou-se uma felicidade de menino de Cachoeiro diante de uma tábua de pirulitos e a curiosidade de servidor aposentado em saber a origem e, sobretudo, o montante do que tenho a receber por não ter ido buscar o que é meu: seja por não terem me avisado antes, seja por ter sido lesado, na surdina, por decisões unilaterais e índices safadinhos em favor dos bancos.
Talvez o dinheiro seja relacionado com aplicações que tenha feito com parte do Imposto de Renda devido nos Fundos 157, extintos em 1983 por boas razões. Ainda que tenha sido pouco, se tiver sido devidamente corrigido e remunerado, poderá ser suficiente para comprar passagens para irmos comemorar com amigos, lá em Brasília.
Gosto de contar que em 2008 comprei um FIT Honda novinho com o que recebi em função de um longo processo coletivo relacionado com reposição salarial, movido por uma associação de funcionários. Como éramos muitos os reclamantes, o advogado que ganhou a causa deve ter faturado o suficiente para comprar uma frota de Hilux e alguns Mercedes-Benz importados.
Desta vez, não vou precisar pagar para defenderem os meus direitos líquidos e certos nem depender da concordância da justiça e da necessária programação orçamentária do governo. É que o dinheiro está depositado numa conta em meu nome, à minha disposição. A conferir.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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