O PIB do primeiro trimestre mostra a economia estagnada, uma enorme frustração para o país que começou o ano com perspectiva de crescer 3%.
Porém, a pior notícia é o ritmo inferior ao de três anos. A queda de 0,2% do PIB entre janeiro e março é o primeiro recuo desde 2016. Está faltando tração para sair do atoleiro. Isso pode levar ao caminho da recessão anual em 2019, sem o país ter se curado da anterior, como mostram 13,7 milhões de desempregados e 23,8 milhões de subocupados.
Para a população, as consequências têm sido terríveis. De acordo com os dados do Centro de Políticas Sociais da FGV, a pobreza aumentou em altíssima velocidade, 33%, entre 2014 e 2017, acentuando desigualdades. Entre 2015 e 2018 verificou-se perda de renda média de 3,44%, com sacrifício muito forte para os jovens. Na faixa etária de 15 e 19 anos, a diminuição de rendimento foi brutal: -20%. Entre 20 e 24 anos, o recuo foi de 13%. Assim, não dá para crescer.
Em 2018, quando o pibinho restringiu-se a 1,1%, apontou-se a greve dos caminhoneiros como a causa maior da derrapada. Mas 1,1% já era a repetição de 2017, sem nenhuma paralisação tão importante. Em 2019, veio novamente o inesperado. Diz-se que a tragédia em Brumadinho, que afundou a produção de minério de ferro, foi a enxurrada de lama que sufocou o PIB no primeiro trimestre.
Na verdade outras ocorrências atrofiam o crescimento, ainda que episódios pontuais tenham sido impactantes. A crise fiscal é gravíssima, gerando baixa relação entre investimento/PIB; a produtividade está estagnada; o sistema tributário afeta o ambiente de negócios; as exportações sofrem com cenário externo adverso, decorrente da redução do crescimento global; e o mercado interno está enfraquecido em função do esvaziamento do bolso da população pelo desemprego e perda de renda.
O potencial de crescimento está fraco. É provável que a Selic, hoje no menor patamar da história, 6,5%, tenha novos cortes. Isso é positivo, mas de efeito curto. Pelos cálculos de mercado, se a reforma da Previdência proporcionar economia em torno de R$ 700 bilhões, em dez anos, já não haverá tanto receio de que o governo não consiga pagar suas contas. Assim, será possível a economia crescer em torno de 0,5% por trimestre.
O problema é que se a reforma demorar demais, não haverá tempo para o país se salvar da recessão neste ano.