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Turismo

A controvérsia sobre o projeto do Aeroporto das Montanhas Capixabas

Estou acompanhando o debate pelos veículos da mídia capixaba. Tive a honra de participar, nos idos de 1997/1998, da equipe que formulou a ideia de um aeroporto no Alto Caxixe

Publicado em 13 de Setembro de 2025 às 04:00

Públicado em 

13 set 2025 às 04:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

acmdob@gmail.com

Já está em curso um debate – sempre bem-vindo – sobre o novo aeroporto nas montanhas capixabas. No distrito de Alto Caxixe. Lá na região que chamamos simbolicamente de Pedra Azul.
Estou acompanhando o debate pelos veículos da mídia capixaba. Tive a honra de participar, nos idos de 1997/1998, da equipe que formulou a ideia de um aeroporto no Alto Caxixe.
Já era, como agora, considerado um projeto estruturante para impulsionar o turismo e a economia capixaba.
Pois bem. O conceito progrediu, mas não houve tempo hábil para executar a ideia. O governador Renato Casagrande era, então, vice-governador do Espírito Santo. No mandato do então governador Vitor Buaiz.
Vemos agora que o governador Casagrande retomou a ideia e já anunciou o projeto e a execução. Neste momento, um aeroporto em Pedra Azul é ainda mais importante do que já era na época. Decisão tomada no “timing” correto.
Sabemos por que, do ponto de vista econômico. Com o fim dos incentivos fiscais em 2033, e com a implementação da reforma tributária, já é fundamental para o Estado estimular o turismo, o consumo e a economia de serviços.
Sabemos, também, que as belezas naturais daquela região a tornam um hub turístico importante e simbólico para os capixabas. Mas há necessidade da região de Pedra Azul transformar-se em icônico símbolo turístico nacional e internacional.
Pedra-Azul
Pedra Azul Crédito: André Rosa/Shutterstock
Para isso, é preciso ser feito o que já está sendo colocado em prática.
A logística de transportes, com o novo projeto de duplicação da BR 262, a ser licitado até o início de 2026. E, agora, com o projeto do aeroporto.
Ao lado da logística, o fomento constante aos projetos em curso de impulsão da hotelaria; da gastronomia; da agricultura familiar; da agenda de eventos regulares; da formação de mão de obra; e da educação para o turismo — com inovações tecnológicas.
Tudo isso através de parcerias público-privadas com o chamado trade turístico; em parcerias público-públicos entre os municípios da região — e em parcerias dos municípios da região com o governo estadual e com a Embratur.
Precisamos olhar o projeto do aeroporto como estruturante para mudar o turismo de montanhas capixabas de patamar. Turismo não só de turistas capixabas. Turismo de turistas nacionais e internacionais. É preciso ousar.
Todo projeto estruturante e de visão de futuro costuma dividir opiniões e provocar críticas construtivas e críticas negativas. É o preço das utopias e dos olhares visionários.
No próprio Espírito Santo, temos um exemplo simbólico de outro projeto que “causou” controvérsias. Refiro-me à concessão, nos idos de 1998, da Rodovia do Sol. Chuvas de opiniões negativas e de reações dos arautos do fracasso.
Pois bem. A Concessão da Rodovia do Sol teve um inegável efeito no desenvolvimento do turismo na região da Grande Vitória e do Sul do estado. E no desenvolvimento imobiliário e econômico da mesma região.
Agora é a vez de outro exemplo simbólico de outro projeto estruturante: o novo aeroporto no Alto Caxixe, Pedra Azul.
Outra vez: é estruturante do ponto de vista do turismo estadual e nacional. É estruturante do ponto de vista de alavancagem das economias locais e da economia estadual.
Não é, digamos, apenas um aeroporto “normal”. É um meio de atração de fluxos diários de turistas de Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro, por exemplo. E também de atração de turismo de alta renda do Brasil e do exterior (por exemplo, italianos e portugueses).
Há desafios? Sim. A começar pela forma de gestão do aeroporto. Concessão administrativa em consórcio? Parceria Público-Privada?
Além disso, é preciso acelerar a execução do projeto de duplicação da BR 262 e, agora, incluir a pavimentação de estradas vicinais da região de Pedra Azul na pauta de execução dos recursos do novo empréstimo do BIRD (Banco Mundial) para a infraestrutura rodoviária do Estado.
É preciso fazer o bom debate, construtivo, em torno do projeto.
Campos do Jordão é Campos do Jordão. Gramado é Gramado. Teresópolis é Teresópolis.
E Pedra Azul é Pedra Azul.
Vamos torcer.

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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