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Política

As águas de março vão acelerar o calendário político nacional

As eleições presidenciais e gerais de 2022 já estão no radar e Bolsonaro se movimenta cada vez mais para consolidar a percepção de que já está no segundo turno

Publicado em 20 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

20 fev 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Presidente Jair Bolsonaro recebe orações de apoiadores em evento no Palácio do Planalto
Bolsonaro pode chegar a 2022 com 25% a 30% do eleitorado? Crédito: Isac Nobrega/PR
No Brasil, o tempo político já está atropelando o calendário gregoriano. As eleições presidenciais e gerais de 2022 já estão no radar. Afinal, o poder se move pelas expectativas de poder. Na formação das expectativas, o presidente Bolsonaro se movimenta cada vez mais para consolidar a percepção de que já está no segundo turno e poderá ser quase imbatível. Agiu e age para desorganizar partidos e enfraquecer lideranças e forças políticas contrárias.
Bolsonaro pode chegar a 2022 com 25% a 30% do eleitorado? Mas daí a vaticinar que ele “já ganhou” é um grande equívoco estratégico das forças e lideranças políticas contrárias a ele – que podem somar de 70% a 75% do eleitorado. Vem daí que, em tempos de águas de março, talvez seja bom recorrer ao aforismo do poeta espanhol Antônio Machado: “caminhante, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar”.
Por onde começar? Não existem oposições consequentes. O que existe é um tiroteio desordenado nas redes e na mídia, fazendo o jogo plebiscitário e polarizador que interessa a Bolsonaro. Na dança dos nomes, fraturam-se forças políticas. O problema não é a escassez de potenciais candidatos. O problema é como transformar candidatos em candidaturas competitivas. O que fazer? O campo político está aberto, a popularidade de Bolsonaro oscila. Há um vácuo de 70% do eleitorado a ser preenchido.
E daí? Daí que é preciso combinar com os russos, ou seja, com Sua Excia. o eleitor. Em vez de voltar ao sonho de que seria possível a formação de uma frente ampla, talvez seja melhor colocar o foco na construção de candidaturas. Bolsonaro já é uma candidatura tecida. Lula ou Haddad deverão tecer outra candidatura. Ciro Gomes, Doria, Moro (?) e Huck (?) também. Eis aqui o problema da largada: os candidatos potenciais precisam entender as aspirações e desejos dos eleitores. Até agora, eles estão desconectados da sociedade. Conversam entre si. Mas não conversam com ela.
O fato é que as razões de votos dos brasileiros mudaram gradualmente nos últimos anos. A matriz de aspirações mudou. A matriz de convencimento também. E a segmentação social é mais ampla. Assim, é hora de formar candidaturas e conversar com esta sociedade brasileira cada vez mais heterogênea. Os partidos e os movimentos cívicos terão capacidade para caminhar nesta direção? Hoje, a luta política está fulanizada, personalizada, idiossincrática e desagregadora.
Há, também, uma nova institucionalidade no processo político-eleitoral. A engenharia política está consolidando a cláusula de desempenho; o fim das coligações; os fundos partidário e eleitoral; e as emendas impositivas. As regras do jogo mudaram. Poderá ser imperativo, por exemplo, a construção de fusões partidárias. Este movimento poderia anteceder a definição de nomes. Caminhar, caminhando...
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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