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Antônio Carlos de Medeiros

As eleições presidenciais continuam em aberto: cadê a terceira via?

Vai ser possível? A sociedade brasileira agradeceria

Publicado em 13 de Junho de 2026 às 04:30

Públicado em 

13 jun 2026 às 04:30
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

acmdob@gmail.com

As eleições presidenciais continuam em aberto. A pesquisa Quaest desta semana registra 56% de indecisos na menção espontânea. Lula com 23% e Flávio Bolsonaro com 17%, também na espontânea.

Os independentes representam 32% do eleitorado. Estão acima de Lula (23%) e Flávio (17%). 59% dos independentes rejeitam Lula. E 64% rejeitam Flávio Bolsonaro.Continua com os independentes os rumos das eleições. A volatilidade ainda vai definir as eleições. 

Com espaço eleitoral ainda aberto para o eventual crescimento de um candidato de terceira via. As rejeições de Lula e Flavio no eleitorado como um todo continuam girando em torno dos 50%. A guerra de rejeições continua.
Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro
Presidente Lula e senador Flávio Bolsonaro Ricardo Stuckert/PR e Agência Senado
Mas continuam faltando coragem e ideias consistentes aos principais candidatos vistos como do centro/centro-direita: Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Eles não conseguem se descolar da sombra do bolsonarismo. Mesmo sabendo que o espaço de Centro (32% de independentes) está aberto para uma candidatura de centro-direita/direita não bolsonarista.

A terceira via nem bem tem ainda um projeto eleitoral. Muito menos um projeto de país e de futuro. Olha mais para o poder e menos para a sociedade. Só que não há mais espaço político-eleitoral para acordo pelo alto. É preciso conquistar a sociedade.

Nesse sentido, a terceira via nem constrói coalizões na sociedade civil para avançar nem alianças consistentes no plano político-partidário.

Ela comete, portanto, o mesmo equívoco do campo bolsonarista e do campo lulopetista: tem projeto de poder e narrativas mais eleitorais, mas tem menos ênfase político-programática.

Assim, o Brasil vive outra vez um déficit de oferta política de lideranças que possam dialogar com a demanda da sociedade por lideranças de cosmovisão liberal social – isto é, lideranças do campo do centro do espectro político. Existe a demanda. Mas falta a oferta.

Potenciais e pretensos candidatos de terceira via aparecem nas eleições e depois se dissolvem em iniciativas “isoladas”. São líderes e centros de estudos e de convivência que não criam força de comunicação com o espectro político e social que almeja e carrega uma opção social liberal.

Preferem fustigar o lulopetismo e o bolsonarismo do que forjar e construir liderança social e política que possa galvanizar a sociedade.

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Agora, por exemplo, os candidatos mais conhecidos da terceira via (Caiado e Zema) se equilibram em raciocínio puramente eleitoreiro: operam na narrativa do antipetismo, mas não debatem e criticam a narrativa do bolsonarismo. Qual é a deles?

“O que a vida quer da gente é coragem”, dizia Guimarães Rosa.

As pesquisas continuam mostrando o cansaço com a polarização; a busca de um projeto de futuro; o encontro do liberal com o social. 

Um potencial para uma candidatura de centro chegar a conquistar piso eleitoral de até 30%. E ser capaz de disputar um segundo turno. No mínimo, serviria para oxigenar o debate e a disputa eleitoral, com visão mais política e menos eleitoreira.

A sociedade agradeceria.

O Brasil de 2027/2031, diante dos desafios externos e internos já colocados agora em 2026, terá grandes dificuldades de governança e governabilidade se as eleições de 2026 não confluírem para a vitória de uma Frente Ampla.

Em seu novo livro, “A Oligarquia dos Poderes”, Joaquim Falcão mostra que, pela primeira vez, o arranjo oligárquico de poder no Brasil é produzido “pelo Estado dentro dele próprio. Vem das autoridades, das ambições internas. Do progressivo descolamento entre o eleitor e o Estado Democrático de Direito”. 

É essa “nova oligarquia” regressiva, em pleno século XXI, que uma Frente Ampla poderia conter, com legitimidade para reconectar Estado e sociedade.

Vai ser possível? A sociedade brasileira agradeceria.

No Espírito Santo, as eleições estaduais não apresentam ainda tendência de polarização semelhante à polarização nacional, como foi em 2022. Não parece que o espelho se repetirá. Portanto, é bem provável que as eleições capixabas sejam regionalizadas.

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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