Agora o calendário gregoriano vai direcionar os “tempos” da política nacional e da política capixaba. Até o início de abril, saberemos quem sai e quem fica. Até o início de agosto, saberemos quem vai para as disputas.
Portanto, agora é hora de a onça beber água e de atravessar o rubicão. Acordos, decisões, formação de chapas para deputados estaduais, deputados federais e senadores. E alianças para governador e vice-governador e para presidente da República. Tudo permeado por consensos ou por conflitos — às vezes com uma traição aqui e outra ali.
No plano nacional, as eleições presidenciais estão em aberto. A pesquisa Quaest de fevereiro cravou na pesquisa espontânea: 65% de indecisos. A rigor, tudo pode acontecer.
As pesquisas evidenciam o crescimento gradual do centro do espectro político (não confundir com Centrão). Pode até impulsionar, ainda, uma candidatura de corte liberal social pela estrada do centro político. Com uma tendência para a centro-direita. Neste momento, a especulação política crava a potencial candidatura do governador Ratinho Junior (PSD) do Paraná.
Na atual conjuntura, de cansaço com a polarização política, o busílis é saber quem vai conseguir articular uma Frente Ampla. Uma coalização real sem hegemonia do PT de Lula ou do PL de Flávio Bolsonaro. Difícil. Mas possível.
No meio do caminho, a tarefa de todos, já em curso, é a formação de palanques estaduais. Não vamos esquecer que a política brasileira tem raiz nos estados e municípios.
No plano estadual, a novidade do carnaval foi a aproximação política do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) com o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). O “enredo”, neste momento, é o de que por volta de abril eles vão decidir quem será candidato a governador e quem será candidato a senador.
A rigor, portanto, a pré-candidatura que está confirmada é a do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Nas pesquisas ele aparece na liderança, seguido de perto pelo prefeito Lorenzo Pazolini, por enquanto também pré-candidato a governador. Ainda estão para ser confirmadas as pré-candidaturas de Helder Salomão (PT), bem provável, e de Magno Malta (PL), ainda em aberto.
Deve-se, também, levar em conta o chamado “fator Paulo Hartung” (PSD). Em entrevistas, ele deixa em aberto que poderá, ou não, vir a ser candidato a um cargo majoritário – governador ou senador. Diz que é cedo para decidir e que a sua filiação recente ao PSD mostra que ele voltou a ser militante da política partidária, defendendo a renovação política no ES.
Hartung, aqui e ali, elogia as lideranças emergentes de Pazolini e Arnaldinho e mostra que compreendeu que o eleitorado está com a tendência de votar em perfis de centro-direita. Dialoga e articula nessa direção. Fontes nacionais dizem que o presidente nacional do seu partido, Gilberto Kassab, vê com bons olhos uma candidatura dele ao senado. A conferir.
Tudo somado, as eleições presidenciais deverão ser disputadas palmo a palmo, principalmente se a centro-direita conseguir costurar consenso mínimo em torno da candidatura de Ratinho Junior. Deverão ser eleições de segundo turno.
Aqui também, no Espírito Santo, as eleições para a governadoria deverão ter disputa acirrada, com tendência de ir para o segundo turno. Principalmente se Helder Salomão e Magno Malta entrarem mesmo na disputa. Também aqui, a disputa para a segunda vaga para o senado da República (lembrando que são duas vagas) deverá ser acirrada. Para a primeira vaga, o governador Renato Casagrande, segundo as pesquisas, lidera a disputa.
Tudo ainda vai depender da formação dos palanques estaduais – no caso das eleições presidenciais – e da formação das chapas para deputado estadual e deputado federal, além da segunda vaga para o senado – no caso do ES.
Tanto a equação nacional quanto a equação estadual dependem também de saber, lá na frente, se vai ser confirmada a tendência (atual) de alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) e/ou de voto de protesto.
A preço de hoje, o clima na maioria da sociedade é de cansaço com a polarização e de rejeição à política e aos políticos.