Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Política

Num beco sem saída, Brasília vive em ritmo de ultimátum

Jair Bolsonaro tem duas armas apontadas para ele: o impeachment e a explosão dos invisíveis. O Congresso não resiste ao barulho das ruas e das redes. A pandemia força Brasília a acertar as contas com o Brasil

Publicado em 15 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

15 ago 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Bolsonaro durante visita à Basílica de Aparecida, em São Paulo
Jair Bolsonaro tem duas armas apontadas para ele: o impeachment e a explosão dos invisíveis Crédito: O Vale
Brasília está caindo na real. O sincericídio de Paulo Guedes mostrou que o rei está nu. Está no ar um sonoro ultimátum. No cabe todo mundo debaixo do cobertor do orçamento da União e do pacto de poder e divisão do bolo. É incontornável a explosão do conflito distributivo. A tragédia da pandemia expôs as mazelas da pobreza e das desigualdades, com um exército de invisíveis e desempregados. É frágil o arranjo de poder e governança em vigor no país.
Brasília está num beco sem saída. Tem as urgências da pandemia e as emergências da pós-pandemia. Tudo junto e misturado. Ou o poder incumbente acerta a agenda e o pacto de poder, ou o país explode ali na frente. Alguém tem dúvida que o término abrupto do auxílio emergencial poderá causar mais anomia e mais violência? São quase 100 milhões de brasileiros, entre “invisíveis” e desempregados.
Escolhas de Sofia: o trilema da saúde, da economia e do pacto de poder com as corporações civis e militares e com o mercado financeiro. Escolhas entre cortes de gastos; aumentos de tributos; aumentos de gastos; emissão de dívidas e emissão de moeda. Alguém já encontrou a fórmula para tributar a renda das gigantes digitais aqui no país?
A pandemia força Brasília a acertar as contas com o Brasil. Não tem jeito. Não dá mais para empurrar com a barriga e “fugir para frente”, com a velha tática da conciliação das elites, tornada possível nos últimos 40 anos com aumento da carga tributária e do endividamento. Chegou a hora de enfrentar o conflito de interesses e refazer o pacto de poder. Entregar os anéis para salvar os dedos.
Jair Bolsonaro tem duas armas apontadas para ele: o impeachment e a explosão dos invisíveis. O Congresso Nacional não resiste ao barulho das ruas e das redes. As castas das corporações civis e militares, que estão no comando, não resistirão a um cenário de “default” do Brasil e de “shutdown” do governo. O mercado financeiro teme outra crise sistêmica. Tudo somado, é hora de entregar os anéis.
O Estado brasileiro quebrou e se tornou injusto e ineficaz. Neste caldeirão, os Três Poderes da República; os entes da federação; o mercado; e a sociedade civil, precisam encontrar saídas para pactuar uma agenda e dividir a conta. É a lei da sobrevivência.
Alguém tem dúvida que a dívida pública poderá escalar a marca de 110% do PIB e que este endividamento já comprometeu as próximas gerações? O que ainda não sabemos é como esta conta vai ser dividida entre nós. Não existe dinheiro público. Existe dinheiro da sociedade.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Lula diz que terminou radioterapia e que cura do câncer de pele foi definitiva
Segunda Ponte
Segunda Ponte: ordem de serviço para criar 5ª faixa será assinada na segunda (15)
Imagem de destaque
Vereadores de Aracruz vão ter direito a R$ 10 mil para reembolso de despesas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados