Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Governo Lula

O lobby capixaba na esteira do retorno da federação a Brasília

O ES vai precisar voltar à prática da interlocução frequente, sistemática e planejada com o governo federal e com o Congresso Nacional. Vai ser necessário voltar a apresentar projetos para a captação de recursos, reivindicar soluções, articular saídas

Publicado em 10 de Dezembro de 2022 às 00:05

Públicado em 

10 dez 2022 às 00:05
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Outro dia, falei aqui da improvável janela aberta para o Espírito Santo no governo Lula. E que isso coloca para o governador Renato Casagrande o desafio de ser protagonista nas relações dos estados com o governo federal. É desafio para ele, mas é também para as nossas lideranças políticas, empresariais e sociais.
De partida, vamos observar que a receita dos estados caiu em outubro, por causa da menor arrecadação com o ICMS. Recuou 13% no mês, contra o mesmo período em 2021. Isso foi decorrência da medida eleitoreira (de junho) do governo Bolsonaro, aprovada no Congresso. A criação de um limite na alíquota sobre os combustíveis, energia elétrica e telecomunicações. Impactou muito as contas dos estados.
Espírito Santo é Nota A no Tesouro Nacional em matéria fiscal. Mas podem surgir nuvens em breve. A conta da medida eleitoreira chegou. E em 2023 os estados ainda terão que enfrentar o problema do congelamento dos salários dos funcionários públicos por dois anos. Essa é outra conta que vai chegar.
Essa realidade reforça a necessidade de ação federativa do governador Casagrande e das lideranças estaduais. O Espírito Santo vai precisar voltar à prática da interlocução frequente, sistemática e planejada com o governo federal e com o Congresso Nacional. Vai ser necessário voltar a apresentar projetos para a captação de recursos, reivindicar soluções, articular saídas. A federação vai voltar à Brasília.
Governador Renato Casagrande no Pedra Azul Summit
O governador Renato Casagrande no Pedra Azul Summit Crédito: Fernando Madeira
As mudanças de eixos esperadas para a política nacional, dentro de uma perspectiva de um governo de Frente Ampla com viés de centro-esquerda, devem fortalecer duas tendências. Primeiro, o “ativismo governamental”, significando que o governo federal voltará a ter um papel importante na coordenação e indução das questões sócio-econômicas nacionais, para não mencionar as questões político-institucionais.
Outra tendência, já assinalada aqui, é a do fortalecimento do federalismo, tanto como ferramenta de mediação política, quanto como instrumento de eficácia das ações de políticas públicas de saúde, educação, segurança e infraestrutura. Neste contexto, o governo Lula vai precisar muito dos governadores e prefeitos. Buscar “plasticidade” política e institucional para a (difícil) governabilidade.
Neste cenário, o governador reeleito e a nova bancada federal podem ter um papel histórico importante. É um desafio para deslanchar uma espécie de “cruzada capixaba”. Temos aí pelo menos três frentes. Primeiro, garimpar recursos no Orçamento Geral da União. É verdade que faltam recursos e que o Orçamento Federal está capturado. Mas é verdade também que faltam projetos viáveis. E mais parcerias público-públicas e público-privadas.
Segundo, coordenar ações mais organizadas para captar recursos federais de crédito e fomento, principalmente junto ao BNDES, à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, e ao Banco do Nordeste. Projetos principalmente privados, catalisados pelo governo. As linhas de crédito existem. De novo, faltam bons projetos.
Em seguida, de forma coordenada com o governo federal, será importante retomar a ideia dos fundos de pensão investir em projetos regionais estratégicos, respeitadas as boas práticas de compliance. Investimentos regionais de importância nacional, como é o caso da Serra do Tigre. Por último, cabem novos projetos e ações para captação de recursos internacionais, principalmente em projetos da linha ESG.
A cruzada federativa capixaba requer construção de pontes e de parcerias. Agindo em cooperação com parlamentares e governadores de outros estados - e com lideranças sociais, culturais e empresariais de âmbito nacional -, o Espírito Santo poderia ganhar mais peso político.
O velho mantra: quem não é o maior, tem que ser o melhor...

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Com novo tarifaço de Trump e déficit fiscal crescente, Brasil chega à eleição mais importante do mundo em 2026 sem margem para erro, diz analista
Vereador de Vitória Baiano do Salão
Caso escabroso de vereador condenado por estupro de criança força Câmara de Vitória a ativar a Corregedoria
Plantação de café arábica no município de Pedra Menina-ES, na região do Caparaó
Café arábica do ES e portos capixabas: tão perto, mas ainda distantes

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados