Sair
Assine
Entrar

Política

Trapaça da vida, Trump virou um grande eleitor de Lula

Mas ainda é cedo para saber quem ganha e quem perde na política brasileira. É preciso esperar até 1° de agosto para saber se o tarifaço vai ser mantido, ainda que seja com tarifa menor

Publicado em 19 de Julho de 2025 às 03:30

Públicado em 

19 jul 2025 às 03:30
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

acmdob@gmail.com

São as trapaças da vida e da sorte. Donald Trump tornou-se neste momento um grande eleitor de Lula.
Disparou um tarifaço de 50% contra as exportações do Brasil. Em seguida mandou investigar o Pix. As duas bombas deram ao presidente Lula bandeiras nacionais que o ajudaram a conter a queda de popularidade, melhorando a sua avaliação e a avaliação do governo Lula.
Um efeito bumerangue que também dividiu a direita, abalou a liderança política do governador Tarcísio de Freitas e atingiu a força de Jair Bolsonaro e do bolsonarismo.
Mas ainda é cedo para saber quem ganha e quem perde na política brasileira. É preciso esperar até 1º de agosto para saber se o tarifaço vai ser mantido, ainda que seja com tarifa menor.
Segundo cálculos já divulgados pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o tarifaço pode reduzir em R$ 19,2 bilhões o PIB brasileiro e extinguir 110 mil empregos, afetando as exportações em R$ 52 bilhões. Um petardo que pode atingir mais uma vez a popularidade do presidente Lula e do governo.
Além de afetar principalmente os estados mais prejudicados, como São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Espírito Santo. Consequentemente, também atingindo a popularidade dos seus respectivos governadores.
Por enquanto, o relatório da pesquisa da Quaest que foi divulgado faz uma análise relevante. Mostra que o tarifaço unificou lulistas, eleitores da esquerda e setores moderados - e, ao mesmo tempo, dividiu a direita.
Vem daí a conclusão que “o centro se aproximou do governo” e que “Trump ajuda o governo a recuperar popularidade”.
Pronuncimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump 
Pronuncimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump  Crédito: Reprodução TV Globo
Ao mesmo tempo, o relatório mostra que a melhora na percepção da economia é pequena, com variação sem efeito significativo.
O dado que chama a atenção é o de que 43% acreditam que a situação deve piorar em 2026 – “pessimismo que pode estar associado ao tarifaço”. 80% pensam que o poder de compra piorou em um ano, tendendo a culpar o governo federal pela piora na condição de vida.
Isso significa que a sensação de bem-estar ainda está longe dos brasileiros, assim como uma eventual retomada da esperança num futuro melhor. As questões estruturais que afetam a popularidade do presidente Lula e o descrédito da política e dos políticos ainda permanecem.
Outro dado relevante e de efeito estrutural que o relatório mostra é o de que 53% dos eleitores julgam que o discurso que coloca “ricos contra pobres” não está certo porque “cria mais briga e polarização no país”.
Trata-se do já consolidado cansaço dos brasileiros com a polarização. Que resulta no expressivo “nem-nem” (nem Lula, nem Bolsonaro), em busca de uma nova liderança moderada.
A pesquisa da Quaest mostra que o espectro político está assim : 17% lulista / petista ; 13% não é lulista / petista mas é “mais à esquerda” ; 33% “não tem posicionamento “; 22% não é bolsonarista , mas é de direita “; e 12% “é bolsonarista".
Prevalecem as posições centrais, com predominância da centro direita: 55%. A busca da moderação.
Por enquanto, olhando para o cenário político, o “presente” de Trump ao governo Lula (um símbolo das trapaças da vida e da sorte), resultou na oportunidade para Lula encontrar uma bandeira e uma narrativa que o tornou capaz de recuperar poder de agenda.
Em curto espaço de tempo, além de furar a bolha das redes sociais e tornar-se capaz de duelar e dialogar no ciberespaço, Lula precisa usar o poder de agenda para deslanchar com agilidade um acordo nacional em torno de uma agenda mínima para a caminhada até dezembro de 2026.
Um acordo envolvendo os Três Poderes, lideranças da sociedade civil, lideranças do setor produtivo e do mercado financeira, e lideranças dos veículos de comunicação.
Para além das campanhas políticas na direção de 2026, que já estão em curso, é preciso governar e encarar os problemas da insegurança, da carestia e do desequilíbrio fiscal e monetário.

Antônio Carlos de Medeiros

E pos-doutor em Ciencia Politica pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaco, aos sabados, traz reflexoes sobre a politica e a economia e aponta os possiveis caminhos para avancos possiveis nessas areas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis' em literatura universal
Motorista morre em grave acidente envolvendo três veículos na estrada de Pontal do Ipiranga
Motorista morre em grave acidente envolvendo três veículos em Linhares
Bombeiros resgatam três cães presos em penhasco na divisa entre ES e MG
Bombeiros resgatam três cães presos em penhasco na divisa entre ES e MG

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados