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Modernização

Espírito Santo precisa de uma agenda política contemporânea

Na pauta de prioridades levada pelo governador Casagrande em seu encontro com o presidente Lula nenhum desses temas mais atuais foi contemplado

Publicado em 09 de Fevereiro de 2023 às 00:10

Públicado em 

09 fev 2023 às 00:10
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo.villaschi@gmail.com

Governos de estados de pouca densidade política e econômica como o Espírito Santo precisam construir agendas políticas que levem em consideração o que está sendo priorizado pelo governo federal. A história capixaba tem boas ilustrações dessa necessária busca de janelas de oportunidades para compatibilizar o que é pauta em Brasília com o que pode servir para dar saltos no processo de desenvolvimento capixaba.
A mais recente e mais bem-sucedida busca dessa compatibilização ocorreu no governo Arthur Carlos G. Santos, quando no plano federal se estabeleceu prioridade para a diversificação das exportações brasileiras. Diversificação através principalmente da agregação de valor a matérias-primas já exportadas.
Um candidato natural nesse projeto de diversificação de exportação era o minério de ferro. A qualidade da ligação ferroviária mina-porto entre Minas Gerais e Espírito Santo e a eficiência do Porto de Tubarão para operação de grandes graneleiros colocaram o estado em condições técnicas para reivindicar a instalação de uma usina siderúrgica em sua costa.
Reivindicação que competia com estados bem mais poderosos econômica e politicamente como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A capacidade do governador Arthur Carlos de costurar apoios através de capixabas bem posicionados na tecnocracia em tempos de regime militar resultaram na atração de investimentos tanto no campo da metalurgia - CST, pelotizadoras da Vale e da Samarco - quanto na então emergente produção de celulose a partir de madeira de eucalipto.
Os desdobramentos do que resultou desse ciclo de crescimento induzido por investimentos federais e internacionais no Espírito Santo têm lados positivos e negativos. Positivos que poderiam ter sido mais potencializados e negativos que poderiam ter sido minimizados caso inércia, passividade e falta de criatividade não tivessem sido as principais características de sucessivos mandatários à frente da administração estadual nas últimas décadas.
Falta de criatividade que precisa ser superada neste momento em que a agenda de desenvolvimento brasileira vem se transformando para ser contemporânea de tempos de inclusão social, de atendimento à emergência climática e de valorização da biodiversidade. Na pauta de prioridades levada pelo governador Casagrande em seu encontro com o presidente Lula nenhum desses temas foi contemplado.
Pior, o que foi anunciado pelo próprio governador foram solicitações de investimentos majoritariamente em obras típicas dos tempos de Washington Luiz quando há um século valia a máxima segundo a qual ‘governar é construir estradas’. Rodoviarismo que nos dias de hoje é questionado em termos de seus impactos negativos em questões climáticas e naquelas que dizem respeito à biodiversidade.
O Espírito Santo tem em sua sociedade civil, em seu meio empresarial e em sua comunidade acadêmica competências que podem suplementar o que há mais de vinte anos é feito pelo ES em Ação para o governo do estado. Suplementação necessária para que o desenho de trajetórias do desenvolvimento se liberte do atendimento quase que exclusivo ao que interessa às grandes empresas produtoras e exportadoras de commodities que operam no Estado.
Suplementação que poderá resultar na construção de visões compartilhadas sobre o futuro da formação socioeconômica capixaba e que poderá torná-la mais inclusiva socialmente e mais responsável ambientalmente. E assim ser mais sustentável do que é hoje devido ao exagerado apego do governo estadual ao fiscalismo e ao crescimento econômico como fins em si mesmos.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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