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Arlindo Villaschi

Impactos da reforma da Previdência devem ser melhor calculados

A reforma da Previdência é só um componente da estratégia de liberar o mercado para o prometido crescimento

Publicado em 12 de Abril de 2019 às 20:35

Públicado em 

12 abr 2019 às 20:35
Arlindo Villaschi

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Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Impactos da reforma na Previdência Social Crédito: Divulgação
Bom o exemplo da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Espírito Santo (Fetaes) para o necessário debate sobre a reforma da Previdência. Fez exercício simples com dados e demonstrou que mais de 70% dos municípios capixabas têm nas rendas previdenciárias valor superior à auferida com o Fundo de Participação dos Municípios.
Esse dado deve, no mínimo, ligar o sinal amarelo para senadores, deputados, vereadores, governador e prefeitos do Espírito Santo. Para além de discussões sobre retrocessos que serão provocados pelo desmonte de pilar social da Constituição de 1988, o estudo da Fetaes indica a necessidade da classe política entender os efeitos negativos que a reforma terá sobre a sustentação econômica e financeira da maioria dos municípios capixabas.
E mais, indica que as federações do empresariado rural, industrial, do comércio e de serviços precisam se posicionar diante da possibilidade concreta de perda de renda da população, que certamente impactará negativamente micro, pequenas e médias empresas.
O círculo vicioso de demanda reduzida, vendas em queda, desemprego, redução da massa salarial e demanda reduzida que daí deriva precisa também ser considerado por profissionais liberais – médicos, dentistas, advogados, engenheiros e arquitetos, por exemplo.
Para aqueles preocupados com o crescimento desordenado de cidades, há que ser ligado o alerta sobre efeitos que a perda de direitos no campo têm sobre o êxodo rural. Êxodo rural que pode também colocar em risco a segurança alimentar da população urbana que hoje é majoritariamente abastecida pela agricultura familiar.
Exercícios simples como o feito pela Fetaes devem ser repetidos para que mais segmentos da sociedade tragam para sí o compromisso com o necessário debate sobre a política econômica em operação desde 2016. A reforma da seguridade social é apenas um componente de agenda cuja única estratégia é liberar o mercado para que ele leve a economia à terra prometida do crescimento.
Crescimento prometido quando da emenda constitucional que congelou gastos sociais e quando da perda de direitos trabalhistas. Crescimento sinalizado como resultado da reforma ora em discussão que certamente reduzirá as possibilidades de o Brasil se desenvolver socialmente inclusivo.
Crescimento que certamente se limitará aos já extraordinários ganhos do sistema financeiro e dos que nele ocupam posições privilegiadas em finanças, marketing e advocacia.

Arlindo Villaschi

Arlindo Villaschi Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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