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Arlindo Villaschi

Justificativa do corte de gastos da Educação mostra despreparo no governo

Desmonte como o que o ministro da Educação pretende nas universidades e institutos são irrecuperáveis

Publicado em 24 de Maio de 2019 às 15:26

Públicado em 

24 mai 2019 às 15:26
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo.villaschi@gmail.com

Ministro da Educação, Abraham Weintraub Crédito: ADRIANO MACHADO
O que foi pensado inicialmente para punir instituições que provocavam “balbúrdia” tornou-se um corte geral para todas as universidades e institutos federais. Corte posteriormente justificado como um necessário contigenciamento de despesas. A mudança de tom e conteúdo da fala demonstra falta de preparo para ser ministro.
O uso de bombons pelo ministro da Educação para justificar o contigenciamento de verbas para as universidades e institutos federais foi intencional para criar a ideia de que o subtraído é supérfluo, desnecessário e que pode até resultar em sobrepeso. Imagem de quem pouco conhece do funcionamento de instituições que ensinam, fazem extensão e pesquisa de qualidade Brasil afora.
Água e energia elétrica; bolsas de iniciação científica, de mestrado e de doutorado; auxílio a estudantes carentes, entre outras despesas, são fundamentais para a educação pública de qualidade que o Brasil precisa e os brasileiros merecem. Sem recursos para elas, compromete-se a efetividade de gastos com salários de professores e funcionários; reduz-se o retorno de investimentos feitos em salas de aulas, laboratórios e outros equipamentos.
Tivesse o ministro alguma vivência com educação, seria fácil ele entender que despesas de menor monta são cruciais para que as maiores produzam a formação cidadã e de conhecimento que caracterizam nossas universidades e institutos. Como ele é do mundo da especulação financeira, vale sugerir que pense de que valeriam funcionários capacitados e equipamentos de última geração se fossem contingenciados em bancos recursos para pagar contas de luz e de internet.
No mundo que molda a forma do ministro pensar e agir, os resultados são aferidos em prazos cada vez mais curtos; nele, a resposta fácil é cortar despesas para garantir o maior retorno financeiro possível. Os prazos em educação são longos; a formação para a cidadania e para o exercício profissional demanda muito mais que dias, meses, trimestres. O retorno social e econômico auferido com investimentos em ensino, extensão e pesquisa só são mensuráveis em décadas; muitas vezes, em mais do que uma geração.
Perdas no mercado financeiro, de onde o ministro vem, são recuperáveis no curto prazo. Desmonte como o que ele pretende fazer das universidades e institutos federais são irrecuperáveis. Como recuperar o sonho e a necessidade de uma boa formação prejudicada por falta de recursos para custeio de bolsas e outras despesas que nada têm a ver com guloseimas?
 

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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