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Crônica

NOLT: uma nova denominação para a velhice

Talvez eu esteja sendo influenciada por uma crônica da inolvidável Rachel de Queiroz, que dizia: “Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos”
Bernadette Lyra

Publicado em 

27 jan 2026 às 03:45

Publicado em 27 de Janeiro de 2026 às 06:45

Ninguém pode negar: o mundo muda mais rápido do que se come um bombom. A linguagem, tarefeira implacável, vai registrando as mudanças. É o que me ocorre quando um amigo me diz que ninguém mais é velho, velhote, idoso, cidadão da terceira idade ou faz parte da (infame) melhor idade, palavras usualmente citadas no contexto da viagem humana através das etapas dos séculos. Agora, esse imenso batalhão de sobreviventes para além dos 60 tem outro nome: NOLT.
Antes de conceder a mim mesma esse mimo linguístico, meio estranho, meio misterioso e pretensiosamente muito mais chique, ofertado aos viajantes do tempo, fui averiguar como as gentes se inserem no que a sigla de New Older Living Trend (Nova Tendência de Vida para Idosos) oferece.
A primeira resposta obtida (no Google, à falta de outras fontes, confesso) foi que se trata de uma “tendência,” outra palavrinha pretensiosa como aquelas que brotam nas redes sociais e se multiplicam como cogumelos na chuva. Assim fiquei sabendo que NOLTs são os seres que se recusam a envelhecer de forma passiva, passando a contrariar tudo que a sociedade espera e prescreve para quem cruzou a linha imaginária da delimitação da idade e entrou na velhice. Não sei não, sou meio descrente do que me parece um consolo um tanto duvidoso nesse admirável mundo novo, que nem Shakespeare, na “Última Tempestade”, sonhou nominar.
Talvez eu esteja sendo influenciada por uma crônica da inolvidável Rachel de Queiroz, que dizia: “Aos moços dou um conselho: não fiquem velhos”. Recomendo a leitura. Embora reconheça que hoje existem meios físicos e mentais bastantes para sustentação dos famosos 4 pilares do envelhecimento: Saúde, Participação, Segurança, Aprendizagem ao Longo da Vida.
Esse último é o meu predileto, quando se trata de driblar a implacabilidade do “compositor de destinos, tambor de todos os ritmos”, cantado pelo mano Caetano, em uma época em que cantar era um modo artístico, por vezes político, mas não partidário.
Os geriatras, esses seres quase milagrosos para um NOLT que se preze, têm lá seus pitacos. Transcrevo um deles, doutor Ivan Aprahamian: “Busque o que te dá prazer, dentro de uma boa vivência social, uma boa estima individual. Cada um pode avaliar e entender como melhor a sua qualidade de vida”.
Acontece que, na vida, a velhice é inevitável. Acredito que a única alternativa a envelhecer, vocês sabem qual seja. É indesejável. Não lá de muito agrado. Assim, creio que nada nos custa aceitar o “Sou NOLT”, que já está nas melhores cabeças de cabelos brancos ou coloridos de louro, ruivo, preto, vermelho, verde, azul etc.
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