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Crônica

Por que sempre digo que escrevo ficção

Ser uma “escritora de ficção”, o termo muito me apraz. Mas o que quer dizer isso? Talvez eu nem possa explicar a contento
Bernadette Lyra

Publicado em 

13 jan 2026 às 03:00

Publicado em 13 de Janeiro de 2026 às 06:00

E vem a gentil leitora e muito sabidamente pergunta por que razões sempre digo que escrevo ficção. Fico um tanto sem jeito. Para mim, escrever ficção é tão natural como descascar uma laranja, antes de chupar os gomos. Assim, tive de matutar um pouco para tentar responder, pois nunca se deve deixar sem resposta a indagação vinda de uma leitora tão interessada, sagaz e sabida.
Ser uma “escritora de ficção”, o termo muito me apraz. Mas o que quer dizer isso? Talvez eu nem possa explicar a contento. A literatura é um baú de misteriosas engenhocas. O que alguns consideram como um dado claro e passível de entendimento, outros se regozijam em embaralhar.
Posso, porém, apanhar um atalho que me salve dessa arapuca, falar pomposamente que a palavrinha ficção se encaixa como uma luva nos territórios do mapa do país literário. A metáfora sempre cai bem quando a gente está perdida, procurando se encontrar. A maravilhosa Rita Lee já fez uso dela. Vide “Ovelha negra”, a canção.
Cabe explicar a tal “ficção literária” como sendo um território largo, que contém outros mais apertados, chamados de gêneros. Ela borbulha em contos, novelas, romances etc. Também pode ser diferenciada e referenciada por contar histórias imaginárias, pois quem faz esse tipo de ficção tem total liberdade para criar personagens, cenários e eventos, mesmo que estejam baseados em “fatos reais” (como dizem os melhores cineastas). O que mais importa é a criatividade sem limites e a força da imaginação.
Sendo um pouco didática (e espero que não antipática), a literatura de ficção oscila entre o conteúdo e a forma. O conteúdo está ligado às opiniões, ideologias, crenças que são as leis do desejo de quem está escrevendo. A forma está ligada às modalidades estéticas, às conformações do texto, às figuras da linguagem, às experimentações do estilo, aos modos de ajustar externamente e materializar as ideias, na luta com as palavras, ou seja, antenada com aquela trabalheira que dá para acomodar os 10% de imaginação com os 90% de transpiração, que o poeta Drummond, muito apropriadamente, afirmou ser “a luta mais vã”.
Um adendo a esta parolagem: a literatura de ficção brasileira está vivendo um período bastante voltado para os conteúdos. São os ecos da cultura woke norte-americana, baseada em ideologias. Isso pode ser notado nas famosas listas de prêmios e de livros mais vendidos, nem sempre dignas de créditos, pois hoje está difícil de acreditar em tudo que a gente recebe em um mundo que adora incensar ou cancelar o que quer que seja, afinal.
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