Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

Um encontro para o não esquecimento

Como sempre faço em fevereiro, mês de aniversário da morte do escritor Júlio Cortázar, resolvi dividir com vocês minha eterna admiração e meu agradecimento pelo tanto que seu legado literário me foi transformador
Bernadette Lyra

Publicado em 

24 fev 2026 às 04:00

Publicado em 24 de Fevereiro de 2026 às 07:00

Certa vez, Júlio Cortázar escreveu: “Nem sempre procurei conhecer pessoalmente escritores que admiro, prefiro que o acaso me aproxime deles”. Eu me identifico com essas palavras. Fico a roer as unhas e o coração dispara quando me aproximo de alguém que, de fato, admiro pelo modo como faz da literatura sua tarefa verdadeira, existencial, expressiva. E ninguém ignora que a admiração é um lugar em que tudo pode acontecer: amizade, encantamento, amor, descrédito ou indiferença.
Acontece que uma das minhas satisfações mais íntimas e mais intensas foi o dia em que esbarrei com o próprio Júlio Cortázar. Mas não pensem que foi um encontro em carne e osso com aquele gigante, literal e literariamente falando, pois ele era imenso na altura do corpo e na qualidade da produção escrita de suas histórias, com que sempre deslumbrou minha alma.
Foi na ocasião em que fiz a primeira leitura de um de seus livros mais intrigantes: “Histórias de Cronópios e de Famas”. E como sempre faço em fevereiro, mês de aniversário da morte do escritor, resolvi dividir com vocês minha eterna admiração e meu agradecimento pelo tanto que seu legado literário me foi transformador.
Talvez alguém venha me dizer que “Histórias de Cronópios e da Famas” não é o livro mais lido ou o mais importante que Cortázar escreveu. Alguém há de me falar também que se trata de “um livro menor”, que eu não esqueça o furor mundial que saudou o brilho de “O Jogo da Amarelinha” (“Rayuela”), causador de frenesi em tantos críticos, especialistas, alunos e professores universitários, desde logo dispostos a dissecar com minúcias (por vezes mais pretensiosas que talentosas) o que o próprio autor chamou de um “contrarromance".
Julio Cortázar
Julio Cortázar Crédito: Reprodução
Posso até concordar. Mas o fato é que, em “Histórias de Cronópios e de Famas”, desde sempre me encantou a simplicidade da técnica, a surpresa da refinada ironia beirando o humor, a naturalidade com que o surreal é usado. E, mais que tudo, me identifiquei com os cronópios, aquelas personagens encharcadas de cotidiano, um pouco tontas, quase tolas, na tarefa de encarar os acontecimentos do dia a dia, porém sempre dispostas a não se perder nas miudezas das coisas corriqueiras
Assim, esteja onde estiver, em que infinito agora habite, em que lua, em que estrela faça sua morada bem além deste planeta outrora azul e agora apenas caótico, confuso, e perturbador, salve! salve! Cortázar, o escritor que me ajudou a redescobrir a presença do que é humano em um mundo desumano e de se encantar com o que existe de raro e fantástico na vida comum.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Solange Couto e Alberto Cowboy deixam rivalidade de lado para criticar Ana Paula
Imagem de destaque
Babu e Milena tomam chamada da produção após tramarem contra rivais
Imagem de destaque
Como Vitória reduziu em mais de 50% os crimes violentos?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados