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Crônica

Uma visão do maciço central de Vitória

O consolo é observar a beleza do maciço central enquanto o dia vai dando lugar à chegada da tarde com uma aura dourada que logo passa a cinza e se espalha
Bernadette Lyra

Publicado em 

10 fev 2026 às 03:00

Publicado em 10 de Fevereiro de 2026 às 06:00

Outro verão desceu sobre a cidade. Caiu com um calor de fazer inveja à temperatura do Inferno, cantado em versos na Divina Comédia, pelo poeta Dante. Aqui, de minha janela, escancarada à espera de que uma ventania mais refrescante venha do lado do mar, vejo os morros do maciço central que se unem como duas imensas asas abertas. Por certo já falei sobre o que falo agora, tanto me impressiona essa imensa muralha rochosa que se curva em torno do Centro da Ilha.
É possível traçar uma tangente do olhar até o vértice invertido do ângulo formado pelo aclive das rochas, em direção aos dois picos, um dos quais sustenta um agulheiro de antenas. O outro, que era uma pedra escura, hoje está quase sufocado, coberto de vegetação.
O tablado de grama ainda está lá, chapado no flanco da asa esquerda. De vez em quando, surge nele a silhueta de um bicho que a gente não sabe muito bem o que é, mas que pode ser propriedade de algum habitante das dezenas de casas que foram se erguendo, subindo, acabando com a mata atlântica que vai sendo destroçada, para dar lugar a construções, por vezes precárias.
Nada mais é como antes, quando os bem-te-vis faziam ninho nas ramagens das árvores que eram como uma densa cortina verde vestindo essa imensa pedra dupla e lavada de ventos, onde nossos ancestrais quilombolas e indígenas encontraram abrigo e, por tanto tempo, fizeram seu lugar ameno, agraciados com as águas que brotavam da fonte, hoje chamada de Grande.
Já não se veem mais nem mesmo as luzes dos vagalumes. Os vagalumes desapareceram, depois das queimadas, das clareiras que foram abertas, do casario que foi subindo, quase encostando nos cumes.
Torres de transmissão no Parque da Fonte Grande
Torres de transmissão no Parque da Fonte Grande Crédito: Fernando Madeira
É certo que cidade cresceu e se modificou. Uma multidão, sem ter espaço, talvez também sem ter recursos econômicos suficientes para enfrentar a corrida habitacional, cada vez mais cara, no território exíguo, passou a ocupar a montanha que atualmente abriga uma imensa quantidade de gente que precisa viver, morar e dormir. E ocupar as montanhas talvez tenha sido o único modo de resolver isso.
O consolo é observar a beleza do maciço central enquanto o dia vai dando lugar à chegada da tarde com uma aura dourada que logo passa a cinza e se espalha. O brilho de uma estrela aparece no veludo da noite por cima da asa direita, e logo começam os ruídos noturnos e se escutam latidos de cães, gritos de crianças, baterias da escola de samba Piedade e tantos outros barulhos que vão se espalhando. Quando tudo silencia e a madrugada vem, aquele casal de pássaros ainda passa serenamente voando sobre esta Ilha, que um dia foi Guananira, nossa Ilha do Mel.
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