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Conferência do Clima das Nações Unidas

A participação de Lula na COP 27, no Egito

Com uma fala sintonizada ao que pensam pesquisadores e líderes mundiais, Lula parece, aos poucos, conseguir retirar o Brasil do isolamento dos últimos anos

Publicado em 18 de Novembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

18 nov 2022 às 02:00
Caio Neri

Colunista

Caio Neri

caioneri@mpf.mp.br

A viagem do presidente eleito ao Egito, onde está sendo realizada a 27ª sessão da Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas, já começou com debate desnecessário: sua ida, de carona, num avião com outras autoridades e empresários. Dizem os bolsonaristas, por falta de conhecimento jurídico ou por excesso de má-fé, que Lula teria incorrido em crime de corrupção passiva.
Crime de corrupção obviamente não houve, nada de ilícito há na conduta, ainda mais quando se lembra que Lula está na COP 27 defendendo interesses acima dos pessoais, tampouco há notícia de qualquer exigência espúria em troca da carona. Entretanto, não era de espantar que os bolsonaristas vissem problemas onde não há. Mas, vamos nos ater aos discursos de Lula na COP 27.
O principal discurso de Lula foi muito bem recebido por autoridades mundiais, tendo a imprensa internacional destacado que “Brazil is back”. Isso porque, após anos de discursos de Bolsonaro na contramão do meio ambiente equilibrado, a fala do futuro presidente do Brasil salientou que economia e clima não são inimigos, pelo contrário, hão de ser aliados. Meio ambiente ecologicamente equilibrado não se coloca como dicotomia à economia e vice-versa.
Com uma fala sintonizada ao que pensam pesquisadores e líderes mundiais, Lula parece, aos poucos, conseguir retirar o Brasil do isolamento dos últimos anos. É fundamental que, para atrair investimentos, o Brasil assuma um compromisso robusto com a economia limpa, sobremaneira após o recrudescimento do desmatamento no país, em parte causado pelo garimpo e pelo extrativismo ilegais e predatórios.
Lado outro, em outra fala, Lula voltou a criticar o teto de gastos em prol de uma responsabilidade social. Por mais que seja inquestionável a urgência de se combater a fome e o caos social que existe no Brasil, creio que é preciso cautela quando se trata de teto de gastos. Responsabilidade fiscal e social devem se conjugar, um não existe sem o outro.
De fato, não adianta focar em responsabilidade fiscal esquecendo-se daqueles que passam fome. Porém, a garantia dos programas sociais também carece de um país com estabilidade do ponto de vista fiscal-orçamentário.
O dilema deve ser, então, como conciliar as duas responsabilidades. Não é uma missão fácil, mormente quando se relembra que Bolsonaro deixará o país com um rombo histórico nas contas públicas.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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