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Eleições 2020

Resultado do segundo turno em Vitória ainda não está definido

Fatores como mudança na taxa de abstenção, debate eleitoral a ser realizado pela TV Gazeta e a propaganda eleitoral no rádio e na TV podem mudar rumos projetados

Publicado em 20 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

20 nov 2020 às 04:00
Caio Neri

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Caio Neri

caioneri@mpf.mp.br

João Coser e Pazolini disputam 2º turno em Vitória
João Coser e Pazolini disputam 2º turno em Vitória Crédito: Amarildo
O deputado Lorenzo Pazolini e o ex-prefeito João Coser disputarão o segundo turno para prefeito de Vitória. Pazolini recebeu 30,95% dos votos válidos, enquanto Coser, 21,82%, 15.641 votos de diferença. A última pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Gazeta, aponta que a rejeição de Coser era maior que a de Pazolini. Então, teoricamente, Pazolini largaria na frente na disputa pela prefeitura da capital capixaba. Entretanto, a grande verdade é que o segundo turno de Vitória ainda não está definido!
A diferença de 15.641 votos entre Coser e Pazolini pode parecer expressiva se analisada isoladamente. Contudo, Vitória tem 251.464 eleitores aptos nesta eleição. No primeiro turno, desse total, 171.308 escolheram algum dos candidatos que estavam na disputa (68,12% do eleitorado), ou seja, os outros 80.156 eleitores não escolheram nenhum dos nomes (31,88%), computando-se, aqui, os votos brancos e nulos (que não vão para o candidato mais votado), bem como, a abstenção recorde de 63.994 eleitores (quase 26%).
Outro dado do primeiro turno em Vitória é que os candidatos tradicionalmente associados à esquerda (João Coser, Sérgio Sá, Gilbertinho Campos, Namy Chequer e Raphael Góes) obtiveram, ao todo, 46.400 votos. Enquanto isso, os candidatos do espectro da direita (Pazolini, Assumção, Coronel Nylton, Halpher Luiggi, Fábio Louzada, e Eron Domingos) chegaram a 69.442 votos. Já os candidatos situados ao centro (Gandini, Mazinho e Neuzinha) alcançaram 55.466 votos. Os partidos de direita, tiveram, então, 23.042 votos a mais que os de esquerda. Porém, parcela significativa dos 55.466 votos dos candidatos de centro pode migrar para Coser, sem contar a possibilidade de que aqueles que não votaram no primeiro turno votem no segundo.
Apesar de Neuzinha, o PSDB e o PSD terem formalizado apoio a Pazolini, não há forte capacidade de transmissão de votos. O apoio de Neuzinha não surpreendeu porque, antes mesmo do primeiro turno, o que se comentava nos bastidores da política e até no PSDB é que Neuzinha insistiu na própria candidatura, sabidamente sem chances de vitória, para impedir a candidatura viável do também tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas, abrindo, assim, espaço para o PSDB apoiar Pazolini no segundo turno, em busca de alguma secretaria em eventual gestão.
O apoio do PSDB a Pazolini não é unânime. No ninho tucano há forte descontentamento com as direções estadual e municipal do partido que, cada vez mais, vem se afastando da ideologia social-democrata. Tanto é que diversos tucanos apoiarão João Coser.
No eleitorado de Gandini, a tendência é que a maioria migre para João Coser, principalmente em razão dos duros ataques que Pazolini realizou diretamente contra o candidato do Cidadania. Não é possível afirmar que Gandini apoiará Coser, entretanto é bem difícil que ele peça votos para Pazolini. Entre os correligionários de Gandini, o apoio a Pazolini apenas é certo entre os que nutrem ódio explícito ao Partido dos Trabalhadores.
Aliás, voltando à rejeição, parece que a rejeição atribuída a Coser nas pesquisas mais se dirige a seu partido que ao próprio candidato. Alguns fatos também podem ampliar a rejeição a Pazolini, como a invasão ao hospital Dório Silva, a negação à ciência em meio à pandemia do coronavírus, os rumores de sua atuação para impedir o aborto legal em uma criança de 10 anos que fora vítima de estupro e sua vinculação a políticos como Damares Alves, Magno Malta, Marcos Madureira, Marcelo Crivella e Edir Macedo, os dois últimos, bispos da Igreja Universal e lideranças no partido de Pazolini, o Republicanos. O fato de Pazolini replicar posicionamentos extremistas de Bolsonaro também pode lhe render a antipatia dos eleitores de fora da bolha do bolsonarismo.
Além da alta taxa de abstenção no primeiro turno, outros dois acontecimentos podem influenciar no resultado do segundo turno: o debate eleitoral a ser realizado pela TV Gazeta na próxima semana e a propaganda eleitoral no rádio e na TV, que recomeça hoje, com divisão igualitária de tempo entre os candidatos.
A última semana de campanha eleitoral será fundamental para conquistar os votos dos indecisos e pode levar à diminuição da abstenção. O resultado segue em aberto.

Caio Neri

É graduado em Direito pela Ufes e assessor jurídico do Ministério Público Federal (MPF). Questões de cidadania e sociedade têm destaque neste espaco.

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