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Aposentadoria

O futuro custa caro, mas quase ninguém está pagando a entrada

Do lado do Estado, uma nova reforma previdenciária é inevitável. Do lado do trabalhador, o desafio é ainda maior: cortar excessos no presente, poupar para o futuro e construir o próprio pé de meia
Cássio Moro

Publicado em 

30 set 2025 às 03:00

Publicado em 30 de Setembro de 2025 às 06:00

Uma pesquisa recente mostra que 55% das classes A, B e C não fazem qualquer planejamento financeiro. Metade desse grupo ainda admite que ou nunca, ou raramente, consegue guardar dinheiro de forma regular. Traduzindo: mais da metade da população que até teria alguma margem para se organizar simplesmente não tem interesse nisso.
E não para por aí. Um estudo do Ipea concluiu que, entre 2012 e 2023, a contribuição previdenciária dos jovens ocupados de 20 a 29 anos caiu de 66,9% para 64,1% (Ipea, 2024). Ou seja, justamente quem deveria sustentar o sistema já dá sinais de que prefere gastar agora a apostar que no futuro haverá algo para receber.
Esse comportamento reforça um círculo vicioso bem conhecido: a população envelhece, a expectativa de vida aumenta, as taxas de natalidade caem e, com menos contribuintes, o sistema fica ainda mais pressionado. A equação é simples: mais aposentados, menos gente contribuindo. E alguém terá de pagar essa conta.
O jovem que enxerga esse cenário se sente desestimulado a contribuir, desconfiando de que não verá retorno algum quando chegar à melhor idade. De outro lado, o Estado tenta equilibrar o jogo com reformas que sempre chegam atrasadas e nunca agradam. O resultado é um desânimo generalizado.
É claro que o INSS sempre gerou déficits, mas as aposentadorias foram pagas porque quem garante o pagamento é a União, não importa se há ou não reservas no instituto. O problema apenas muda de endereço: sai da gaveta do INSS e vai direto para o Tesouro Nacional. Isso não elimina a necessidade de reformas.
O aumento da expectativa de vida pressiona a idade mínima de aposentadoria e regimes como o do microempreendedor individual trazem contribuições baixíssimas, que só ampliam o déficit no longo prazo. São questões estruturais que não se resolvem com remendos.
Só que não adianta jogar tudo nas costas do governo. Cada um precisa fazer sua parte. Confiar cegamente que apenas a previdência pública vai te sustentar na velhice é algo triste. Se não sobra para o futuro, é preciso repensar hábitos, cortar excessos e aprender a poupar. Sim, tarefa difícil em um país de salários baixos e serviços caros, mas não impossível.
A chave está em pequenas escolhas. Consumir pela utilidade e não pela vaidade, só para ostentar para o vizinho que você pode (o “consumo conspícuo” de Veblen). Será que você precisa de três ou quatro streamings ao mesmo tempo? Será que o celular de última geração com 512 gigas vai mudar sua vida ou só encher de fotos repetidas?
Notas de dinheiro, cédulas de Real
Notas de dinheiro, cédulas de Real Crédito: Reprodução
É nesse ponto que o trade-off aparece. Voltando ao exemplo do celular: compro um novo hoje ou deixo para o ano que vem? Um aparelho de R$ 5 mil, comprado hoje, não significa apenas gastar R$ 5 mil. É também deixar de ganhar cerca de R$ 500 se esse valor fosse aplicado num CDB por 12 meses. Se entrar no parcelamento, pior ainda: em 12 vezes, o custo final chega a R$ 6.000. A diferença de R$ 1.000 é o preço de transformar desejo imediato em dívida disfarçada de conveniência.
A lógica da poupança funciona no sentido inverso do consumo imediato. Guardar R$ 30 por mês, o preço de um streaming, durante 30 anos pode render perto de R$ 30 mil em um investimento conservador. Se o valor sobe para R$ 300 mensais, o resultado passa dos R$ 290 mil. Agora imagine quem consegue separar R$ 3 mil por mês (o equivalente à parcela de um carro novo que você decidiu não comprar, preferindo continuar com o seu VW de 15 anos). O efeito multiplicador dos juros compostos não é só matemática financeira, é praticamente uma aula prática sobre paciência e escolhas.
Concluindo: do lado do Estado, uma nova reforma previdenciária é inevitável. Do lado do trabalhador, o desafio é ainda maior: cortar excessos no presente, poupar para o futuro e construir o próprio pé de meia. Entre gastar tudo agora e confiar tudo no governo, há um caminho mais equilibrado. Ele exige disciplina, planejamento e, sobretudo, menos impulso diante da vitrine.
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